P. Andreas Lind, sj

A obra de Ennio Morricone, que morreu na segunda feira, é expressão de uma espiritualidade interior. Para o compositor, a música resultava de um vínculo entre o ver e o escutar.

Foi ontem em Roma, na cidade que o viu nascer já há 91 anos, que Ennio Morricone se despediu deste mundo. A mensagem foi-nos dada por um amigo próximo, Giorgio Assumma, assegurando-nos que ele partiu com o “conforto da fé”.

Mario Morricone, seu pai, foi um trompetista apaixonado pelo jazz. E, a confiar nos relatos que o próprio Ennio nos deixou, Libera Ridolfi, sua mãe, vivia e partilhava uma fé tão simples quanto profunda. Assim cresceu Morricone com as suas três irmãs, num ambiente marcado pela música e pela fé católica, sem que houvesse separação entre essas duas dimensões da sua vida. Apesar de o conhecermos pela sua produção musical, convém não esquecer, como o próprio esclarece numa entrevista concedida a Zenit em 2009, que a “fé” sempre se fez presente na sua obra. Não foi certamente por acaso que o Papa Francisco lhe concedeu, em 2019, a Medalha de Ouro do Pontificado, como forma de reconhecimento pelo seu “extraordinário compromisso artístico, que também tinha aspetos de natureza religiosa”.

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