Enzo Bianchi e Massimo Cacciari afirmaram a centralidade da pessoa na evangelização e no pensamento

Lisboa, 10 abr 2018 (Ecclesia) – O  fundador da Comunidade Monástica de Bose, Enzo Bianchi, afirmou esta quarta-feira na Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa, que o humanismo deve ser definido a partir da “humanidade de Deus” e na “procura” de cada pessoa.

“O humanismo cristão é o que tem a coragem de colocar no centro a cruz”, disse o monge italiano, não para afirmar a importância de qualquer forma de dolorismo, mas sublinhar a centralidade do homem.

O prior da Comunidade Monástica de Bose considera que o humanismo cristão “parte da carne de Jesus”,  da sua fragilidade e mortalidade, e do corpo de cada um “com todos os limites e dramas”.

Enzo Bianchi sustentou que “o humanismo cristão, assente na humanidade de Jesus de Nazaré, que amou até ao extremo, transforma o caminho de todos os humanismos”.

“Temos de reler a nossa fé a partir da possibilidade de ver como, procurando o homem, estamos no caminho de procurar Deus”, sublinhou.

“Não se pode procurar Deus sem procurar o homem”, acrescentou o fundador da comunidade monástica italiana.

“Isto não está garantido no catolicismo”, sustentou Enzo Bianchi, acrescentando que a  razão das “dificuldades” da evangelização no mundo atual está nesta incapacidade.

“Há o risco de reduzir o humanismo a uma leitura antropológica da fé”, acrescentou.

Enzo Bianchi, prior da Comunidade Monástica de Bose, padre José Tolentino Mendonça, vice-reitor da UCP, e Massimo Cacciari, da Universidade de São Rafael (Itália) no debate promovido pelo CITER

Num debate promovido pelo Centro de Investigação em Teologia e Estudos da Religião (CITER), da UCP, o prior comunidade italiana dialogou Massimo Cacciari, da Universidade de São Rafael, em Itália, sobre “O humanismo trágico da razão e o humanismo redimido da cruz. Diálogo ou disputatio?».

Para o filósofo italiano “um pensamento humanista deve ser uma ontologia do possível”, próximo de cada pessoa e desligado de uma “analítica da existência”.

Cacciari considera que, em cada instante, o homem vive entre duas tendências”, a que diz respeito ao “peso da memória” e a que se refere a “um futuro que não se conhece”.

“O homem é um milagre porque não é definível e determinável”, mas “é contradição, é multiplicidade de aspetos, de desejos”, acrescentou.

O diálogo entre Enzo Bianchi e Massimo Cacciari decorreu na Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa, por iniciativa do Centro de Investigação em Teologia e Estudos da Religião (CITER).

“Criado em 2017, o CITER tem por objetivo a organização, promoção e divulgação, numa perspetiva multi e interdisciplinar, das investigações em Teologia e Estudos de Religião, favorecendo um intercâmbio ativo entre estas áreas científicas, bem como as ligações de cada uma delas com outros campos do saber”, refere o respetivo portal na internet.

PR

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