Turismo: Vaticano exige proteção legal contra vigilância de dados de viajantes

Mensagem para Dia Mundial aborda desafios levantados pela IA

Cidade do Vaticano, 11 jun 2026 (Ecclesia) – O Vaticano apelou hoje à criação de quadros normativos internacionais vinculativos para impedir que a inteligência artificial se converta num sistema de controlo sobre os turistas.

“A recolha massiva de dados sobre os comportamentos dos viajantes, se não for devidamente regulamentada, pode tornar-se um instrumento de controlo incompatível com a liberdade e a dignidade da pessoa”, advertiu o Dicastério para a Evangelização, na mensagem para o Dia Mundial do Turismo 2026.

O documento, enviado aos jornalistas, rejeita a mercantilização humana na indústria das viagens, criticando a perspetiva económica que trata o indivíduo como um mero objeto e transforma o encontro cultural num espetáculo de consumo.

“A experiência turística corre o risco de se reduzir ao que o algoritmo prevê como agradável, impedindo a descoberta da maravilha do encontro pessoal”, lamenta a Santa Sé.

O texto sublinha igualmente o perigo de marginalização das comunidades isoladas.

Há ainda o desafio da exclusão digital. Quem não tem acesso às tecnologias, quem não sabe utilizá-las, quem vive em territórios com pouca conectividade, corre o risco de ser ainda mais marginalizado num setor — como o do turismo — que, para muitas comunidades, representa uma fonte essencial de subsistência. Uma digitalização injusta pode agravar as desigualdades em vez de as reduzir.”

A Jornada Mundial do Turismo assinala-se a 27 de setembro de 2026.

“A inteligência artificial pode tornar-se uma aliada preciosa do turismo sustentável e acessível, desde que permaneça um instrumento ao serviço da pessoa”, ressalva a mensagem, assinada pelo arcebispo italiano D. Rino Fisichella, pró-prefeito do Dicastério para a Evangelização (Secção para as Questões Fundamentais da Evangelização no Mundo).

OC

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