Turismo Religioso: Presidente da ACISO afirma que «não pode haver receio» das pessoas viajarem para Portugal, após «fenómeno atmosférico excecional»

«O workshop é uma maneira de mostrar às pessoas, aos operadores, que Portugal está bem, que de alguma forma nos estamos a reerguer», salientou Pedro Mafra

Foto: Agência ECCLESIA/CB:

Fátima, 20 fev 2026 (Ecclesia) – Os Workshops Internacionais de Turismo Religioso (IWRT 2026), promovidos pela Associação Empresarial Ourém-Fátima (ACISO), chegaram à 13.ª edição, “o número de Fátima”, e mostram que “Portugal é resiliente ”, após os efeitos da tempestade de Khristin.

“Não pode haver receio das pessoas regressarem para Portugal, foi um fenómeno atmosférico excecional, nunca houve registro de tal coisa na história, pelo menos nos últimos anos e, portanto, não há qualquer receio nos turistas em virem para Portugal e aproveitar o que temos para oferecer”, disse o presidente da Associação Empresarial Ourém-Fátima (ACISO), esta quinta-feira, no primeiro dia dos IWRT 2026, aos jornalistas.

Pedro Mafra explica que a tempestade de Khristin, que entrou em Portugal pela região de Leiria e atingiu várias outras regiões do centro, a 28 de janeiro, “é um tema incontornável, não há como fugir”, porque o seu impacto “e a devastação nas empresas e nas famílias foi enorme”.

“Hoje, ainda se fazem sentir os efeitos junto das famílias, há casas sem luz e famílias que estão a tentar reconstruir e apanhar os cacos em que ficou a vida deles; o turismo tem um papel aqui importante, especialmente a hotelaria, porque tem dado apoio a empresas e pessoas particulares que ficaram sem nada”, desenvolveu.

O presidente da Associação Empresarial Ourém-Fátima acrescenta ainda que há empresas que “ficaram com as suas instalações completamente destruídas” e apoiaram-se nos hotéis não só para trabalhar, “mas para a estadia de alguns de seus funcionários”.

A ACISO está a realizar os Workshops Internacionais de Turismo Religioso 2026, o Santuário de Fátima acolheu os dois primeiros dias desta 13.ª edição, esta quinta e sexta-feira, 19 e 20 de fevereiro, e vão continuar na Guarda, este domingo, dia 23 de fevereiro.

“O workshop é uma maneira de mostrar às pessoas, aos operadores, que Portugal está bem, que Portugal é resiliente, e que de alguma forma nos estamos a reerguer, e a tentar minimizar os impactos desta tempestade”, acrescentou Pedro Mafra, realçando que uma das motivações do turismo religioso “é a fé”, e por isso têm que “ter todos fé e esperar por melhores dias, que as coisas se venham a recompor e a melhorar”.

Para o diretor da da Pastoral do Turismo – Portugal (PTP), da Conferência Episcopal Portuguesa, o turismo religioso pode ser uma ajuda concreta “primeiro, gerando riqueza”, e lembra, a partir das jornadas que organizaram há uma semana, que “sustentabilidade não é só sustentabilidade económica, é social”.

“Se nós criarmos postos de trabalho, se criarmos capacidade de promover até os santuários do centro, conseguimos com que as pessoas fixem nas localidades, e que não fujam para os grandes centros urbanos; a descoberta do turismo religioso em tantos santuários, pequenos santuários no nosso país, em visitar o património, ajuda à sustentabilidade desses locais e, neste caso, é gerador de riqueza, que é importante para voltar a construir aquilo que foi destruído”, desenvolveu o padre Miguel Neto, aos jornalistas nos IWRT 2026.

Os IWRT reúnem operadores turísticos, agentes de viagem, destinos, entidades religiosas, profissionais e investigadores do setor, este ano têm “132 buyers de 35 mercados internacionais, 136 suppliers, e 42 países”, que participam em reuniões B2B.

“São mercados emissores que criam pacotes, criam grupos, peregrinações que visitam Portugal, não só Fátima, mas todo o centro, e Portugal inteiro também. Fátima é importante, é um motivo de muitos destes grupos, mas é abrangente e é adequado”, realçou Pedro Mafra.

Para o padre Miguel Neto este evento anual “é uma atividade bastante interessante”, porque reúne os operadores, “reúne aqueles que fazem acontecer o turismo”, e “é importante também haver essa reunião”, por isso, marca presença para perceberem na PTP “como funciona a indústria e estar perto deles”.

“A Igreja Católica em Portugal não demoniza esta indústria, mas que quer acompanhá-la, muitas vezes eles sentem-se acompanhados e sentem-se percebidos pela Igreja e pela hierarquia da Igreja Católica; vou ter um contato com alguém que quer levar portugueses até ao Brasil, e pediu para falar comigo, e é importante nós sabermos como é que isto tudo trabalha, não apenas na teoria, mas também na prática”, acrescentou o sacerdote, adiantando que vão estar também na BTL, num stand em parceria, de 25 fevereiro a 1 março, na Fil, em Lisboa.

‘Os Lugares de Fé: Memória, Espiritualidade e Experiência do Peregrino’, é o tema dos IWRT 2026, e Marco Daniel Duarte, historiador e diretor do Museu do Santuário de Fátima, desenvolveu a temática com foco no santuário mariano da Cova da Iria, porque, salientou o presidente da ACISO, “há muitos pormenores de Fátima que são desconhecidos”, e foram desvendados numa conferência que capacitou também “os operadores presentes”.

Pedro Mafra, presidente da Associação Empresarial Ourém-Fátima eleito para o mandato 2025-2028, explicou esta “é uma lista de continuidade”, já está na Aciso “há algum tempo”, e os desafios são continuar “a estar perto, muito próximo dos cerca de 700 associados”.

A Lituânia é o destino convidado desta edição dos Workshops Internacionais de Turismo Religioso que vão continuar na Guarda, mais diretamente ligada ao Turismo de Herança Judaica, este domingo, dia 23 de fevereiro

CB

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