«Pela paz, pela estabilidade e pela justiça em Ceuta», explica D. Ramón Valdivia, em carta aos sacerdotes, religiosos, e fiéis

Ceuta, 10 ago 2026 (Ecclesia) – O administrador apostólico da Diocese espanhola de Cádis e Ceuta, no norte de África, escreveu uma mensagem sobre a “tragédia humana e institucional” da crise migratória, e mobilizou paróquias para “uma vigília de oração”, esta sexta-feira, 14 de agosto.
“Como proposta de ação para a Igreja em resposta a esta crise humanitária e de confiança, creio ser necessário voltar o nosso olhar para Deus; peço-vos que realizem uma vigília de oração pela paz, estabilidade e justiça em Ceuta, em todas as paróquias da diocese, conforme sugerido pelo Papa Leão XIV, na véspera da Assunção de Maria”, escreve D. Ramón Valdivia, na carta publicada online, este sábado, no sítio da Diocese de Cádiz e Ceuta, na internet.
No final de julho, o governo de Ceuta contabilizou a chegada a pé e a nado de cerca de 60 mil migrantes irregulares oriundos de Marrocos; no dia 31 de julho, a Conferência Episcopal Espanhola (CEE) exigiu hoje uma resposta legal e digna à emergência registada, e a Diocese de Cádis e Ceuta colocou os seus centros de acolhimento à disposição das autoridades para socorrer prioritariamente as vítimas doentes e feridas.
Aos sacerdotes, religiosos e fiéis da diocese espanhola, o administrador apostólico explica que a vigília de oração “pela paz, estabilidade e justiça em Ceuta”, esta sexta-feira, dia 14 de agosto, vai realizar-se no Santuário de Nossa Senhora de África, e espera que “seja realizado da forma mais adequada possível, para que todos os católicos da diocese possam rezar”, a começar pelas Primeiras Vésperas da solenidade litúrgica da Assunção de Maria (15 de agosto).
“Não só pedindo a proteção da cidade de Ceuta, mas também para tomar consciência da importância de amadurecer na fé que recebemos e pedir a luz necessária para que, unidos, possamos viver estes momentos como um novo começo cultural, e não simplesmente como uma crise, que espero que seja passageira”, acrescentou.
Para D. Ramón Valdivia, estes acontecimentos parecem demonstrar “a profundidade da transformação cultural” que está a ocorrer; por isso, “agora mais do que nunca”, precisam de “elevar o olhar e rezar juntos o Pai Nosso, dizendo: Seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu!”.
Na sua carta, mais de uma semana depois da “tragédia humana e institucional” que a diocese católica espanhola viveu em Ceuta, o administrador apostólico partilhou o que vivenciou e, ao mesmo tempo, o que propôs “como plano de ação para toda a Diocese, na medida em que cada um esteja em condições de o implementar”.
“Em primeiro lugar, observo o desastre humanitário que a ambição e a corrupção criaram. Nada de novo sob o sol. De um lado da fronteira, jovens sem futuro que se lançavam para o desconhecido, movidos unicamente por ‘slogans’ políticos ou promessas maliciosas; adultos que aproveitaram a desorganização do governo para fugir às responsabilidades penais no seu país, talvez graças a algum indulto premeditado, concebido para esta ocasião; crianças que, abandonadas pelas suas famílias, se tornavam carne para canhão para predadores”, explica.
Do outro lado, o responsável diocesano, “viu pessoas que se sentiam violadas no seu próprio espaço”, famílias com medo de que, ao cair da noite ou em plena luz do dia, “as suas casas fossem invadidas em busca de comida ou bateria para telemóvel”, mas também “negócios fechados, medo nos olhos, incerteza quanto à possibilidade de regresso”.
D. Ramón Valdivia indica que, em segundo lugar, o seu “coração transborda de gratidão, fruto da fé”, Nossa Senhora de África tem sido o baluarte onde encontram “refúgio, a brisa suave de Elias que, no meio da perseguição, dá a resposta que todos nós nos perguntamos: Onde está Deus?”.
“Pude perceber como a Mãe e Padroeira de Ceuta, mais uma vez na história, se tornou o farol que nos guia através dos mares turbulentos”, acrescenta, na carta publicada online, manifestando “gratidão” ao Papa Leão XIV que, no domingo anterior, “deixou claro que guarda Ceuta no coração”, e também destacou sacerdotes, paróquias, os religiosos e religiosas, voluntários.
CB
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