Padre Nuno Silva destaca experiência única longe da «confusão» e do «ruído» da sociedade atual

Portalegre, 29 ago 2018 (Ecclesia) – O Secretariado da Pastoral da Juventude e Vocações da Diocese de Portalegre-Castelo Branco levou 30 jovens em peregrinação a Taizé, para participarem numa semana de reflexão dedicada aos mais novos, promovida pela Comunidade Ecuménica.

Num comunicado enviado hoje à Agência ECCLESIA, o padre Nuno Miguel da Silva, diretor daquele organismo, e que acompanhou a comitiva em França, destaca uma experiência “rica” e “profunda”, de oração e partilha, vivida com “intensidade”, longe da “confusão” e do “ruído” que carateriza a sociedade.

“Os jovens chegam a Taizé e partem de Taizé, confrontando-se com uma realidade inesperada”, salienta o sacerdote, referindo-se a uma viagem que ajuda ao “crescimento interior” dos jovens, tanto na “perspetiva espiritual” ou do “crescimento na fé”, como “numa perspetiva de voluntariado e convívio” que são também chamados a viver.

A “semana de reflexão” promovida pela Comunidade Ecuménica de Taizé decorreu entre 19 e 26 de agosto, orientada para jovens dos 18 aos 35 anos: estudantes, trabalhadores, voluntários ou à procura de emprego.

O programa tipo de cada dia começava pelas 08h15 com a oração da manhã e uma reflexão bíblica na igreja, seguida de pequeno-almoço.

A partir das 10h15, os jovens eram convidados a participar em ateliês temáticos ou em trabalhos e depois reuniam-se para a oração do meio-dia.

Da parte da tarde, regressam aos ateliês ou ao trabalho (15h15) e havia espaço também para um tempo de partilha diário, em pequenos grupos, antes de terminar o dia com a oração da noite, pelas 20h30.

Jovens de vários países e continentes tiveram ocasião de dar testemunho das suas diferentes realidades, de experiências no campo social, da solidariedade, numa atividade que contou também com representantes de organizações internacionais ou de comunidades cristãs.

Na base dos workshops realizados ao longo destes dias estiveram temáticas como ‘Cuidar da Criação e da Justiça’; o ‘discernimento’, “como fazer escolhas na vida”; o ‘comércio de armas e a ação dos cristãos’;o ‘tráfico humano’; os ‘cristãos na política’ e ‘um projeto em prisões de África’.

“Acompanhar cada jovem nesta busca do ‘protagonismo do serviço’ é também compreender a sua vontade de partilhar a experiência de Crer e dar-se. Os jovens de hoje identificam-se muito com este estar e ser Igreja”, salienta o padre Nuno Miguel da Silva.

Depois desta peregrinação de agosto, vários jovens que integraram a comitiva da Diocese de Portalegre-Castelo Branco a França vão agora preparar-se para viver um encontro diocesano de Taizé em outubro, sob o lema ‘Tu és fonte de vida’.

Mais tarde, em dezembro, irão também estar presentes no Encontro Europeu de Taizé, que este ano tem lugar em Madrid, Espanha.

A Comunidade Ecuménica de Taizé foi fundada em plena Segunda Guerra Mundial pelo irmão Roger Schutz, um jovem pastor protestante suíço que se sentiu chamado a acolher os mais carenciados e a procurar a reconciliação entre as pessoas, a começar pelos cristãos.

A comunidade de Taizé surgiu a 20 de agosto de 1940 e começou por acolher perseguidos políticos, judeus e mais tarde prisioneiros alemães, hoje é constituída por cerca de 100 irmãos das várias igrejas cristãs, incluindo a católica.

Roger Schutz (1915 – 2005) foi para França quando tinha 25 anos, ao encontro do país natal da sua mãe, e ficou na pequena aldeia de Taizé, situada a cerca de 360 quilómetros de Paris.

O irmão Roger, que escreveu uma regra para os monges, inspirada na tradição beneditina e inaciana, seria assassinado a 16 de agosto de 2005 durante uma celebração na igreja da Reconciliação, por uma mulher romena com perturbações mentais.

JCP

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