Francisco destaca papel do país no contexto do sudeste asiático, particularmente na crise de refugiados

Banguecoque, 30 nov 2019 (Ecclesia) – O Papa Francisco deslocou-se hoje à sede do Governo da Tailândia, em Banguecoque, para o primeiro encontro oficial da sua viagem ao país asiático, evocando as pobreza e da exploração sexual.

“É necessário trabalhar para que as pessoas e as comunidades possam ter acesso à educação, a um trabalho digno, à assistência sanitária, e assim alcançar os níveis mínimos indispensáveis de sustentabilidade que tornem possível um desenvolvimento humano integral”, disse, perante responsáveis políticos e representantes da sociedade civil, comunidades religiosas e membros do corpo diplomático.

A intervenção, em espanhol, falou do “grito” dos que esperam “ser libertados do jugo da pobreza, da violência e da injustiça”.

Num país afetado pelo fenómeno do turismo sexual, Francisco saiu em defesa das “mulheres e crianças de hoje que são particularmente feridas, violentadas e expostas a todas as formas de exploração, escravidão, violência e abuso”.

“Neste ano em que se comemora o trigésimo aniversário da Convenção sobre os Direitos da Infância e da Adolescência, somos convidados a refletir e trabalhar, com determinação, perseverança e rapidez, para proteger o bem-estar das nossas crianças, o seu desenvolvimento social e intelectual, o acesso à educação, bem como o seu crescimento físico, psicológico e espiritual”, acrescentou.

O discurso foi antecedido por um encontro privado com o primeiro-ministro tailandês, general Prayuth Chan-ocha, antigo presidente da Junta Militar, que venceu as eleições de março.

O Papa deixou votos de que as eleições marquem “o regresso à normalidade do processo democrático”.

Esta terra tem como nome ‘liberdade’. Sabemos que esta só é possível se formos capazes de nos sentir corresponsáveis uns pelos outros e superar toda e qualquer forma de desigualdade”.

Francisco observou que a Tailândia tem um papel central na região do sudeste asiático, ao “promover a cooperação política, económica e cultural”.

O discurso aludiu à “crise migratória” global, apresentado como um dos “principais problemas morais” da geração atual, sublinhando o impacto da “fuga trágica de refugiados dos países vizinhos”.

O Papa saudou as “antigas tradições espirituais e culturais” da Tailândia, “nação multicultural e caraterizada pela diversidade”.

Num país de maioria budista, onde os católicos representam 0,5% da população, Francisco realçou a “importância e urgência de promover a amizade e o diálogo inter-religioso”, para a construção de sociedades “justas, compassivas e inclusivas”.

“Hoje mais do que nunca as nossas sociedades precisam de artesãos da hospitalidade, homens e mulheres que cuidem do desenvolvimento integral de todos os povos, no seio duma família humana que se empenhe a viver na justiça, solidariedade e harmonia fraterna”, concluiu.

O Papa chegou esta quarta-feira à capital da Tailândia, após um voo de mais de 11 horas, desde Roma, para a sua 32ª viagem internacional, que se vai concluir no Japão, a 26 de novembro.

Os primeiros missionários a estabelecer-se no território tailandês (no antigo Reino do Sião) foram os dominicanos portugueses em 1567, seguidos pelos franciscanos e pelos jesuítas.

A agenda de hoje incluiu passagens pela casa histórica dos monges tailandeses, junto do seu patriarca supremo, Somdej Phra Maha Muneewong; uma visita ao Hospital St. Louis, fundado por católicos em 1898; a visita privada ao rei; e a primeira Missa, no Estádio Nacional da capital, que pode acolher 65 mil pessoas.

OC

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