D. António Augusto Azevedo considera que a questão está «envolvida em nomes muito bonitos», mas «é uma solução errada»

Agência Ecclesia/MC

Vila Real, 14 fev 2020 (Ecclesia) – O bispo de Vila Real afirmou que a eutanásia é uma “derrota da medicina” e corresponde a “uma cedência” a uma “lógica mais utilitarista e mais comodista”, considerando que “a grande luta é pela humanização”.

Para D. António Augusto Azevedo, é “muito significativo” que a classe médica, na maioria dos seus responsáveis, não valide a opção pela eutanásia, que “é no fundo uma derrota da medicina”, porque a essência da medicina “é lutar pela vida”, e considera também que é “uma certa derrota da própria ética”, porque “é o passar uma linha vermelha”.

“Quando vamos cedendo a modalidades em que é permitido tirar a vida ou desvalorizá-la estamos a passar uma linha vermelha e, quando se passam linhas vermelhas, nunca sabemos onde vamos parar. É esse temor que tenho. Creio que este é um passo que não é o mais correto”, desenvolveu.

O bispo de Vila Real assinala que a medicina “tem, hoje, meios e formas de atenuar bastante o sofrimento” e frisa que é necessário “apostar e investir” nos cuidados mais adequados a cada situação e, para além dos meios técnicos, investir também “do ponto de vista humano”, incluindo o “mistério” do sofrimento.

“A sociedade de hoje confronta-se muito com o mistério da morte e do sofrimento. E, muitas vezes, esquecendo Deus não encontra respostas, naturalmente que tem de afastar, de esconder, esses dramas. A problemática da eutanásia tem culturalmente essa génese”, disse D. António Augusto Azevedo, em declarações à Agência ECCLESIA.

O bispo de Vila Real realçou que se perde “o sentido da morte” porque não se acredita em “nada mais” e perde-se “o sentido do sofrimento porque aparece como algo inexplicável”.

“A eutanásia é uma cedência a essa lógica mais utilitarista e mais comodista, acredito que a grande luta é pela humanização e pelo respeito da vida da pessoa ate ao fim”, sublinhou.

Os deputados portugueses vão discutir e votar a legalização da eutanásia de quatro projetos de lei – apresentados pelo PS, Bloco de Esquerda (BE), PAN e Os Verdes (PEV) –, no próximo dia 20, na Assembleia da República.

Segundo o bispo de Vila Real, a eutanásia pode aparecer como uma resposta “muito utilitária, muito prática, envolvida em nomes muito bonitos” mas, na pratica, “é o caminho errado” no sentido do que deseja, espera e acredita que “é o aprofundar de modalidades, de cuidados – cuidados paliativos -, de acompanhamento próximo” e ajuda aos vários níveis, desde a família, das instituições, do serviço publico de saúde e dos hospitais.

A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) manifestou o seu apoio à realização de um referendo contra a despenalização da eutanásia em Portugal e propõe aos deputados na Assembleia da República uma aposta nos “cuidados paliativos”.

Em 2016, a CEP publicou a Nota Pastoral ‘Eutanásia: o que está em causa? Contributos para um diálogo sereno e humanizador’, na qual os bispos católicos afirmam que “nunca é absolutamente seguro que se respeita a vontade autêntica de uma pessoa que pede a eutanásia”.

LFS/CB/PR

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