Capelães do Apostolado do Mar têm «as mesmas faculdades» dos Missionários da Misericórdia

Cidade do Vaticano, 27 jul 2019 (Ecclesia) – O Papa Francisco afirmou hoje que a vida de um marinheiro ou de um pescador não é apenas marcada pelo “isolamento e pela distância” mas, às vezes, também é “dolorosamente afetada por experiências vergonhosas de abuso e injustiça”.

Numa audiência a capelães, voluntários e diretores nacionais do Apostolado do Mar – Stella Maris, Francisco denunciou as “armadilhas” de quem está envolvido “no tráfico de seres humanos” e pela extorsão do trabalho forçado.

“Outras ocasiões, [marinheiros/pescadores] não recebem o salário legítimo ou são deixados em portos distantes. Além das ameaças da natureza – tempestades e furacões – eles devem enfrentar ameaças humanas, como pirataria ou ataques terroristas”, afirmou na Sala Clementina, observando que cruzam os oceanos e mares e nem sempre são “bem-vindos nos portos onde atracam.

A reunião do Apostolado do Mar juntou capelães e voluntários que trabalham nos portos europeus ao serviço de marinheiros e pescadores que, “pelo seu trabalho árduo”, transportam os produtos de que a sociedade depende diariamente.

“Como mais de 90 %por cento do comércio mundial é transportado por navios de vários tipos, a dependência de sociedade em relação à indústria marítima é indiscutível”, salientou, dando conta que o apostolado Stella Maris está “em mais de trezentos portos” onde oferece assistência espiritual e material “a um grande número de marinheiros, pescadores e suas famílias muitas vezes distantes.”

“Sem marinheiros a economia global ficaria paralisada e sem pescadores muitas partes do mundo passariam fome”, acrescentou, pedindo aos presentes que transmitam a “estima e incentivo” do Papa.

Aos capelães e voluntários, Francisco realçou que têm a “missão de presença” e de levar a “Boa Nova de Jesus” para o complexo e variado mundo da navegação.

Como “ouvir pode levar à ação”, o Papa encoraja os capelães e voluntários do apostolado a “redobrarem esforços” para confrontarem as questões que, com “muita frequência, são fruto da ganância humana”.

Neste contexto, exemplificou o “tráfico de seres humanos, o trabalho forçado e violações dos direitos humanos e laborais” de tantos homens e mulheres que “vivem e trabalham” nos mares para “ajudar a restaurar” o sentido de dignidade.

“Os seus esforços podem ajudá-los a não desistir diante de uma vida precária e às vezes marcada pela exploração”, destacou na audiência desta manhã”.

Antes de terminar, o Papa Francisco falou sobre a “paz de coração” pelos “problemas de consciência” com que os marinheiros se aproximam dos capelães e sacerdotes e afirmou que o “diálogo pode abrir novos horizontes de esperança”, pedindo-lhes que sejam misericordiosos.

“Para favorecer essa misericórdia, concedo a todos os capelães de marinheiros as mesmas faculdades que dei aos Missionários da Misericórdia”, refere o discursopublicado pela sala de imprensa da Santa Sé.

Os Missionários da Misericórdia, do Ano Santo extraordinário da Misericórdia (2015-2016) tiveram a faculdadede perdoar pecados “reservados”, ou seja, que só podem ser perdoados pela Santa Sé (Penitenciária Apostólica), como a profanação da Eucaristia, a violação do sigilo sacramental (por parte de um sacerdote) ou a violência física contra o Papa.

Stella Maris celebra o seu centenário em 2020 com o 25.º congresso mundial em Glasgow, na Escócia, onde esta missão da Igreja “nasceu nos corações e ações de vários leigos”.

CB/PR

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