Espaço nasceu há 10 anos para ajudar os cuidadores e dar-lhes espaço

Agência ECCLESIA/LFS

Évora, 14 fev 2020 (Ecclesia) – O “Cantinho do Cuidador”, do Centro de Saúde de Évora, nasceu do sonho da sua coordenadora, Ana Carla Coelho, e destina-se a ajudar os cuidadores e a dar “espaço para eles”.

“Percebemos que as pessoas que tratavam os nossos doentes em casa, os cuidadores, precisavam de ser ajudadas, precisavam de saber fazer as coisas e ter espaço para elas”, conta a coordenadora, enfermeira Ana Carla Coelho, em declarações à Agência ECCLESIA.

O projeto nasceu de uma tese de mestrado desta enfermeira que olhando a realidade daquele Centro de Saúde sentiu essa necessidade e, em equipa, decidiram colocar em prática.

O Cantinho do Cuidador, como passou a designar-se, foi desenvolvendo um manual de recursos do cuidador e acompanha cuidadores individualmente mas também proporciona sessões gratuitas e abertas ao público.

Preciosa Pimenta é cuidadora informal e participa destas sessões onde muito tem aprendido. 

“Eu acho este cantinho muito bom, estas formações são excelentes, porque nós podemos saber mas quando chegamos a estes sítios temos outra maneira de ver as coisas”, explica.

A enfermeira Ana Carla Coelho explica à Ecclesia que as sessões têm sido desenvolvidas mediante as necessidades que os cuidadores vão sentindo, desde a formação em si aos momentos diferentes.

“São o marido, o filho ou vizinho da pessoa doente e que precisa delas… Estas pessoas não receberam formação, nem ordenado, muitas vezes deixam de fazer a vida delas, deixam de ir ao médico… Na verdade essas pessoas fazem muito mais do que ter uma profissão,, é um trabalho que completa o trabalho dos profissionais e não é devidamente reconhecido”, aponta.

Na opinião da coordenadora do “Cantinho do Cuidador” este espaço traz também uma nova janela de bem-estar aos cuidadores.

“O cantinho é um espaço de catarse, é de acordo as necessidades deles, variam do ‘como é que faço ou cuido da pessoa doente’ para eu quero ir a um museu ou a um SPA porque nunca fui e este espaço, como o cantinho, são como balões de oxigénio que permite encarar a dor e o sofrimento quando chegam a casa outra vez”, explica.

Rui Dinis é medico oncologista e participou numa destas sessões de fevereiro onde sente que estes “espaços informais” são uma mais valia também para os profissionais de saúde. 

“É nestes fóruns mais informais que nós podemos tomar contacto, tomar o pulso a estes problemas prementes que os doentes e cuidadores sentem; não cabe a nós vir ensinar como devem cuidar de questões físicas mas ouvir e perceber que necessidades psicológicas e espirituais sentem”, confessa.

A humanização na saúde é uma das preocupações e também o diretor da unidade de Saúde, Nuno Jacinto, considera que o “médico de família tem de ser um aliado”.

“Estas sessões obriga-nos a abrir mais vias e estar mais disponíveis para os cuidadores, ter abertura grande para acompanhar estas pessoas”, disse.

Os cuidadores informais é o tema em destaque no programa 70×7, deste domingo, 16 de fevereiro, na RTP 2, pelas 17h45.

LFS/SN

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