D. António Augusto Azevedo pede medidas concretas que fixem as populações na região

Vila Real, 15 fev 2020 (Ecclesia) – O bispo de Vila Real afirmou a sua preocupação com o “envelhecimento da população” e a “desertificação” nas regiões da diocese e disse que as opções do Estado vão “em sentido contrário” à fixação das pessoas.

“O Estado, nas últimas décadas tem toda uma lógica pouco coerente. No discurso fala dessa preocupação, mas na prática as medidas, que significariam respostas diretas ao problema, vão em sentido contrário”, alerta, realçando a necessidade de emprego, de serviços, e outras condições de apoio como “escolas para os filhos, hospitais”, num território onde “há muito a fazer”.

Para D. António Augusto Azevedo, a região de Vila Real é um território onde se cruzam “vários fenómenos”, nomeadamente o “envelhecimento da população” e “desertificação”, com as aldeias a “esvaziar-se”, por causa da “não-fixação dos mais jovens que vão estudar e trabalhar para fora, nas cidades do país, e, nalguns casos, emigrando para Europa e outras parte do mundo”

Em declarações à Agência ECCLESIA, o bispo de Vila Real adiantou que “não há respostas fáceis”, uma vez que passam por “criar condições para que as pessoas fiquem”, o que só acontece se “tiverem empregos condignos, se tiverem serviços”.

D. António Augusto Azevedo referiu-se também às “riquezas e oportunidades” que existem localmente no setor da agricultura, da vinha e outros produtos, e aos recursos da. geologia, os minerais, referindo que esse “potencial passará muito pela valorização económica” que “precisa de grande aposta”.

“Na zona do Douro há uma geração jovem a apostar e há sinais de valorização; noutras partes há projetos interessantes mas insuficientes para garantir a fixação das populações”, acrescentou.

O bispo de Vila Real sublinha que o problema de desertificação “tem de ser atenuado, combatido”, no “cruzar de muitas coisas” e revela que tem “expectativa que muitos emigrantes que voltem, se fixem e invistam em projetos inovadores” e existam mais oportunidades para os mais jovens.

No início deste ano civil, D. António Augusto Azevedo começou as visitas pastorais que “são sempre uma descoberta muito concreta, muito real”, da vida de cada comunidade e tem constatado “tradições muito enraizadas e raízes cristãs muito fortes”.

O bispo de Vila Real, que tomou posse em 2019, no dia 30 de junho, destaca que este é um povo, uma cultura “com uma identidade forte”, que se respeita e faz respeitar e realça que, nas últimas décadas, “se vai notando que as vias de comunicação vão atenuando esse sentido de interioridade”.

“Sem essa facilidade de comunicações poderia haver uma logica mais fechada, hoje há muito mais abertura, estão todos os valores desta cultura mas há uma partilha e relação mais próxima com todas as outras regiões do país”, assinala.

A Diocese de Vila Real foi criada pelo Papa Pio XI pela Bula ‘Apostolicae Praedecessorum Nostrorum’, de 20 de abril de 1922; tem 4273 km2 e 264 paróquias.

Na entrevista à Agência ECCLESIA, o bispo de Vila Real comentou também o tema da eutanásia, no contexto do debate e votação que se vai realizar no próximo dia 20, na Assembleia da República.

LFS/CB/PR

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