Diretora da Obra Católica Portuguesa de Migrações, que coordena o FORCIM, disse que ao Papa Francisco trouxe os migrantes e refugiados da periferia para o centro a partir da reforma da Cúria Romana

Lisboa, 20 fev 2026 (Ecclesia) – A diretora da Obra Católica Portuguesa de Migrações disse que o Papa Francisco realizou promoveu reformas na Cúria Romana que trouxeram os migrantes e refugiados “da periferia para o centro” e disse que é necessário pensar o mundo a partir das migrações.
“As migrações são um fenómeno estrutural, são a pedra angular, a partir do qual temos de pensar o mundo”, afirmou Eugénia Quaresma à Agência ECCLESIA no encontro promovido pelo Fórum das Organizações Católicas para a Imigração e Asilo (FORCIM), no Dia da Justiça Social, que se assinala no dia 20 de fevereiro.
Para Eugénia Quaresma, considerar as migrações como fenómeno estrutural “ajuda a normalizar a questão das migrações” e também a pensar “em reformas estruturais que contemplem este movimento”, nomeadamente o que leva as pessoas a “quererem mudar de vida” e procurar “um mundo melhor, uma vida melhor”, sem esquecer a “casa comum” e a denúncia que os migrantes fazem “quando vêm de países que não lhes permite viver”, sendo assim uma “denúncia profética”.
“Tudo isto ajuda-nos a pensar o mundo de maneira diferente”, afirmou a diretora da OCPM, que coordena o trabalho conjunto das organizações católicas que estão atentas ao fenómeno das migrações e constituem o FORCIM.

Eugénia Quaresma disse que o Papa Francisco inaugurou o “pensar o mundo de maneira diferente”, promovendo reformas na Cúria Romana em sintonia com a centralidade das migrações.
A diretora da OCPM lembrou que, no anterior pontificado, quatro áreas da pastoral da Igreja – a ecologia, a economia, a saúde e a segurança – e que eram coordenadas por diferentes estruturas, no Vaticano, foram fundidas no Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral.
“Com a mudança estrutural de pensar um Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral a partir da fusão de quatro conselhos pontifícios, como a dizer nós só podemos avançar de uma forma interligada, começou a esboçar este mundo novo”, afirmou.
Eugénia Quaresma lembrou que o Papa Francisco começou a pensar o mundo da ecologia, o mundo da economia, o mundo da saúde, o mundo da segurança, sem esquecer os migrantes e refugiados”.
“Ele funde os conselhos pontifícios e diz: ‘há uma secção particular que vai ser tutelada por mim, que são os migrantes e refugiados’. Esta é periferia que ele trouxe para o centro e a partir da qual ele começa a pensar o mundo”, indicou.
Para Eugénia Quaresma, o “grande desafio” que a reforma estrutural inaugurada pelo Papa Francisco é a capacidade de trabalhar em conjunto o tema das migrações e dos refugiados.
“Nós já fazemos muitas coisas e um dos atos que o Papa Francisco foi promovendo é a publicação das boas práticas, fazemos muitas coisas boas e bem feitas por este mundo de fora, agora é o desafio de interligar”, acrescentou.
A diretora da OCPM lembrou as responsabilidades que as estruturas da Igreja Católica têm neste âmbito, nomeadamente pela presença de em todos os continentes, de pensar “um projeto de acolhimento, de hospitalidade, de cuidado”, desde “o país de origem, de trânsito e de destino”.
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