Francisco apela à intervenção da comunidade internacional, em defesa da população civil

Foto: Lusa/EPA

Bari, Itália, 23 fev 2020 (Ecclesia) – O Papa denunciou hoje a “enorme tragédia” humana que afeta a Síria, falando no final de um encontro de bispos e patriarcas católicos das regiões do Mediterrâneo e Médio Oriente, na cidade italiana de Bari.

“Enquanto estamos aqui reunidos a rezar e a refletir sobre a paz e o destino dos povos que se debruçam sobre o Mediterrâneo, do outro lado deste mar, em particular no noroeste da Síria, tem lugar uma enorme tragédia”, disse, falando a milhares de pessoas reunidas para a celebração da Missa e a recitação da oração do ângelus.

Francisco lançou um “forte apelo” a todos os envolvidos e à comunidade internacional, para que “se cale o barulho das armas e se ouçam as lágrimas dos pequeninos e dos indefesos”.

“Deixem de lado os cálculos e os interesses para proteger a vida dos civis e das muitas crianças inocentes que pagam as consequências”, acrescentou.

Os confrontos no noroeste da Síria já provocaram a fuga de 900 mil pessoas, a grande maioria mulheres e crianças, desde o início da ofensiva militar conduzida pelas forças governamentais sírias.

“Cerca de 2,8 milhões de pessoas precisam de ajuda humanitária no noroeste da Síria”, disse na sexta-feira o secretário-geral da ONU, António Guterres, que falou num “pesadelo” humano.

O conflito na Síria provocou, desde 2011, mais de 380 mil mortos, incluindo mais de 100 mil civis, e milhões de deslocados internos e refugiados.

Esta manhã, Francisco rezou para que Deus “toque os corações e todos possam superar a lógica do confronto, do ódio e da vingança”, promovendo “novos relacionamentos, inspirados pela compreensão, aceitação, paciência”.

O Papa encerrou a passagem de cerca de 4 horas por Bari com um agradecimento a todos os bispos e a todos os que participaram no debate sobre o “Mediterrâneo como fronteira de paz”.

OC

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