Lisboa, 08 ago 2019 (Ecclesia) – Yolla Ghandour, católica sírio-arménia, disse que encontra força na sua fé depois da morte do filho Krikor, com 19 anos, nos combates da guerra na Síria que começaram em 2011.

“Depois da sua morte, zanguei-me com São Charbel: ‘Já não te amo. Implorei-te para manteres vivo o meu filho, mas tu não o fizeste.’ Cerca de 10 minutos mais tarde, olhei para o rosto do santo num quadro e disse-lhe: ‘Não consigo deixar de te amar. Mas promete-me que estarás com o meu filho’”, explicou em declarações à Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) enviadas à Agência ECCLESIA.

Yolla Ghandour assinala que como cristã acredita “na ressurreição” e, “após alguns meses de reflexão sobre a vida no reino de Deus”, descobriu que, “acima de tudo, podia estar orgulhosa” de Krikor.

“Quando enfrentamos as tempestades da vida, temos de permanecer de pé como uma árvore forte, com as raízes profundamente fixadas na terra. As nossas raízes têm de estar plantadas em Deus; temos de suportar as mudanças e a dor com confiança no Seu amor”, desenvolveu.

A entrevistada católica sírio-arménia que vivia com o marido e três filhos – dois rapazes e uma rapariga – em Alepo, disse que “como resultado da guerra”, que opõe o Governo do presidente  Bashar al-Assad e os rebeldes, “as circunstâncias financeiras pioraram” e tanto o marido como o filho Krikor “perderam o emprego porque a área em que trabalhavam era perigosa e bombardeada pelos militantes”.

Neste contexto, recorda que uma semana antes de morrer, a 16 de abril de 2014, Krikor regressou a casa “porque um tio tinha morrido” e quando se preparava para partir disse ao pai: ‘Vou regressar para a morte’.

“Recebi uma chamada disseram que Krikor estava ferido e que tinha sido levado para o hospital. Apressei-me para estar ao seu lado, rezando a São Charbel – ‘dei-te o meu filho, não quero encontrá-lo morto’ – mas, no meu íntimo, tinha quase a certeza que ele tinha morrido”, contou.

Até 2018, a AIS já “apoiou a missão pastoral e humanitária” de várias Igrejas na Síria com projetos “num total de mais de 33 milhões de euros”, desde 2011, quando começou a guerra civil na República Árabe da Síria, como vai apresentar num documentário dia 28 de agosto.

A Fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre está a divulgar as dificuldades da Igreja e dos cristãos em diversas regiões do globo, todas as quartas-feiras, até 4 de setembro, a partir das 15h00, no programa ECCLESIA, na RTP2.

CB

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