Encontro decorre de 6 a 27 de outubro, debatendo questões ecológicas e temas ligados ao papel dos indígenas nas comunidades católicas

Cidade do Vaticano, 03 out 2019 (Ecclesia) – O Vaticano apresentou hoje em conferência de imprensa a Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a região pan-amazónica, que vai decorrer de 6 a 27 de outubro, desvalorizando as críticas recebidas pelo documento de trabalho.

“Não é um documento do Sínodo, é um documento para o Sínodo: é a voz da Igreja local, é a voz da Igreja na Amazónia, da Igreja, das pessoas, da história, da própria Terra”, disse o Cardeal Cláudio Hummes arcebispo emérito de São Paulo, presidente da REPAM – Rede Eclesial Pan-Amazónica.

O cardeal brasileiro, relator-geral do Sínodo 2019, sublinhou que nos dois anos de preparação foram ouvidas 80 mil pessoas, em diversos inquéritos.

A assembleia especial que se inicia este domingo foi convocada por Francisco em 2017, com o tema ‘Amazónia: novos caminhos para a Igreja e por uma ecologia integral’.

D. Cláudio Hummes falou numa situação de crise, na região, “em consequência da degradação e contaminação e devastação do planeta, em especial da Amazónia, e a crescente crise social, de uma pobreza e miséria gritante”.

O responsável foi questionado sobre as reservas levantadas pelo governo do Brasil, relativamente a este encontro eclesial, e disse que houve “diálogo” para responder às questões levantadas.

“Uma abordagem ecológica deverá ser sempre também uma abordagem social, que deve integrar a justiça dos debates sobre o meio ambiente, para ouvir o clamor da terra como o clamor dos pobres”, apontou.

O arcebispo emérito de São Paulo elogiou a “Igreja pobre” da Amazónia e lamentou que muitas pessoas, religiosos ou ativistas, sejam “ameaçadas constantemente”.

O documento de trabalho pede aos participantes no Sínodo 2019 que “para as áreas mais remotas da região seja estudada a possibilidade de ordenação sacerdotal para anciãos, preferencialmente indígenas”.

Segundo o cardeal Hummes, a Igreja Católica na Amazónia sente a falta de recursos humanos, de ministros ordenados, pelo que mais de 70% do interior amazónico tem pouca vida sacramental, particularmente a celebração da Eucaristia, “um problema que dura há muito tempo”.

O Sínodo dos Bispos pode ser definido, em termos gerais, como uma assembleia consultiva de representantes dos episcopados católicos, a que se juntam peritos e outros convidados, com a tarefa ajudar o Papa no governo da Igreja.

O cardeal Lorenzo Baldisseri, secretário geral do Sínodo dos Bispos, destacou que esta assembleia especial diz respeito à Igreja universal e não a uma “representação parcial dos bispos da região”.

A assembleia conta com 185 padres sinodais, 113 de circunscrições eclesiásticas pan-amazónicas (pertencentes a 7 conferências episcopais); marcam presença 13 responsáveis da Cúria Romana, 15 religiosos eleitos pelo superiores gerais e 33 membros nomeados por indicação pontifícia.

Como habitualmente, há seis delegados que representam outras igrejas e comunidades cristãs presentes no território pan-amazónico; 12 convidados especiais como cientistas, peritos no setor do meio ambiente e outras disciplinas; 25 especialistas indicados pelas suas competências especificas.

O cardeal Baldisseri destacou a presença de 35 mulheres, no conjunto de presentes na assembleia especial, falando ainda de um Sínodo “verde”, com preocupações ecológicas na sua organização.

Em relação às críticas deixadas por vários responsáveis eclesiais aos trabalhos da assembleia sobre a Amazónia, o colaborador do Papa destacou que o instrumento de trabalho não é um “documento pontifício”, mas uma recolha dos vários contributos.

“É a primeira vez que responsáveis diretos da evangelização escutam o povo”, sustentou.

O secretário-geral do Sínodo dos Bispos valorizou a “síntese” feita após dois anos de preparação e admitiu que os “alertas” podem ajudar a fazer um trabalho melhor.

Até hoje houve 15 assembleias gerais ordinárias e três extraordinárias, as últimas das quais dedicadas à Família (2014 e 2015).

PR/OC

“A vida na Amazónia está ameaçada pela destruição e exploração ambiental, pela violação sistemática dos direitos humanos elementares da população amazónica. De modo especial a violação dos direitos dos povos originários, como o direito ao território, à autodeterminação, à demarcação dos territórios e à consulta e ao consentimento prévios”, assinala o documento de trabalho da assembleia especial do Sínodo dos Bispos sobre a Amazónia.
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