Setúbal: «Hoje, como naquele tempo, há sofrimento inocente» – D. Américo Aguiar

Afirmou o Bispo de Setúbal na celebração da Paixão do Senhor

Foto: Ricardo Perna/Diocese de Setúbal

Setúbal, 03 abr 2026 (Ecclesia) – O bispo de Setúbal disse hoje que celebrar a Paixão do Senhor “não é recordar um drama do passado”, mas “uma realidade que continua a acontecer”

“Estamos aqui para nos deixarmos tocar por uma realidade que continua a acontecer – na história do mundo e na história de cada um de nós”, afirmou o cardeal D. Américo Aguiar na homilia da celebração da Paixão do Senhor

“Celebrar a Paixão de Jesus é, portanto, sermos confrontados com tudo aquilo que continua a marcar a vida humana: a injustiça, o medo, a desilusão, a violência”, apontou.

“Hoje, como naquele tempo, há sofrimento inocente. Há mães que choram os seus filhos. Há cidades destruídas. Há povos inteiros a viver na insegurança, na miséria, no medo”.

“Como não pensar na Ucrânia, na Terra Santa, no Médio Oriente, em África, em tantas regiões do mundo marcadas pela guerra? Como não reconhecer que, nesta mesma hora, a violência continua a escrever páginas de dor na história da humanidade?”, sublinhou o Bispo de Setúbal.

Na sua homilia, o cardeal D. Américo Aguiar realça que há também “outras formas de violência, que fazem parte do nosso quotidiano: a violência doméstica, os abusos, a pornografia, a exploração, a indiferença, a intolerância. Tudo isto chega até nós, entra nas nossas casas, molda a nossa forma de viver”.

Por isso, ganha ainda mais força o alerta deixado pelo Papa Leão XIV na sua mensagem para o último Dia Mundial da Paz, quando denuncia que, “em vez de uma cultura da memória, que preserve a consciência adquirida no século XX e não esqueça os milhões de vítimas, promovem-se campanhas de comunicação e programas educativos em escolas e universidades, bem como nos meios de comunicação social, que difundem a perceção de que se vive continuamente sob ameaça e transmitem uma noção de defesa e segurança meramente armada”.

“A violência não começa apenas nos campos de batalha; começa também nas mentalidades, nas linguagens, nos hábitos, nas narrativas que normalizam o medo, justificam a hostilidade e fazem da força a primeira resposta”, frisou.

LFS

 

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