Setúbal: Eugénio Fonseca assumiu muitas funções «não como lugares de prestígio, mas como lugares de responsabilidade e de serviço»

D. Américo Aguiar presidiu à Missa do funeral do antigo presidente da Cáritas, que fez do lema «não passar ao lado» dos problemas e das emergências sociais um programa de vida

Foto Ricardo Perna/Diocese de Setúbal, Funeral de Eugénio Fonseca

Setúbal, 17 ago 2026 (Ecclesia) – O bispo de Setúbal presidiu hoje à Missa do funeral de Eugénio Fonseca, falecido no último dia 12 de agosto, que fez do lema “não passar ao lado” um programa de vida e assumiu muitas funções como “serviço e responsabilidade”.

“Foram muitas as missões que Eugénio recebeu ao longo da sua vida. Missões que a Igreja de Setúbal lhe confiou. Missões que a Igreja em Portugal lhe confiou. Missões que Portugal lhe confiou. Eugénio acolheu-as não como lugares de prestígio, mas como lugares de responsabilidade e de serviço”, afirmou D. Américo Aguiar.

Foto Agência ECCLESIA/HM, Funeral de Eugénio Fonseca

Na homilia da Missa do funeral, o bispo de Setúbal evocou o percurso de vida de Eugénio Fonseca, que procurou desde os 10 anos “não passar ao lado” da ajuda que era necessário prestar a quem tinha necessidades, como aconteceu na Cáritas Diocesana, na Cáritas Portuguesa, nas “muitas causas sociais e responsabilidades públicas a que emprestou a inteligência, a palavra, a inquietação e o coração” e “através do voluntariado, dimensão tão importante da sua vida e do seu entendimento da sociedade”.

Para Eugénio, o voluntariado não era apenas uma forma de organização da sociedade civil. Era cidadania. Era responsabilidade. Era fraternidade”.

D. Américo Aguiar lembrou que Eugénio Fonseca era um “filho espiritual de D. Manuel Martins”, primeiro bispo de Setúbal, com quem conservou não “apenas uma relação institucional”, mas “uma relação profundamente filial”.

“Eugénio reconhecia em D. Manuel um pai, um pastor, um mestre e uma referência que marcou profundamente a sua maneira de compreender a Igreja, a responsabilidade dos cristãos na sociedade e, sobretudo, a atenção aos pobres e àqueles cuja dignidade tantas vezes é esquecida”.

Com D. Manuel aprendeu — e depois testemunhou pela própria vida — que a Igreja não pode passar ao lado das dores concretas das pessoas; que a caridade não pode ser separada da justiça; que os pobres não são um assunto entre tantos outros na missão da Igreja; e que a fé, quando é verdadeiramente acolhida, compromete a nossa vida”.

Foto Agência ECCLESIA/HM, Funeral de Eugénio Fonseca

O bispo de Setúbal recordou que Eugénio Fonseca presidia à Fundação D. Manuel Martins, que estava a preparar a celebração do centenário de nascimento do primeiro bispo de Setúbal, no próximo mês de janeiro, não apenas como “evocação de uma figura do passado, mas uma oportunidade para voltarmos a perguntar à Igreja e à sociedade”, na atualidade, pelo lugar dos pobres, os excluídos.

“Há aqui uma imagem que hoje nos toca particularmente: o filho preparava-se para celebrar os cem anos do nascimento daquele que reconhecia como pai e mestre. Não chegou a concluir essa missão entre nós. Agora, essa missão fica também nas nossas mãos”.

Na homilia da Missa, onde foi proclamado o texto do Evangelho das Bem-Aventuranças, D. Américo Aguiar afirmou que Eugénio Fonseca viveu cada uma “não são uma teoria sobre a felicidade”, mas como “o caminho que Jesus propõe a cada discípulo”.

“E talvez pudéssemos acrescentar: bem-aventurados aqueles que não se resignam. Aqueles que não aceitam como inevitável a pobreza. Que não se habituam à injustiça. Que não conseguem olhar para o sofrimento e dizer: ‘não é comigo’”, afirmou.

Eugénio foi muitas vezes uma voz inquieta. Talvez, algumas vezes, uma voz incómoda. Mas uma Igreja que leva verdadeiramente a sério as Bem-aventuranças precisa de homens e mulheres que não a deixem acomodar-se. Talvez tenha sido também isso que aprendeu junto de D. Manuel. Não passar ao lado”.

Foto Ricardo Perna/Diocese de Setúbal, Funeral de Eugénio Fonseca

O bispo de Setúbal conclui a homilia afirmando que as missões de Eugénio Fonseca não terminaram, apenas “a forma como as cumpria”, comprometendo todos a “não deixar cair aquilo por que ele trabalhou”.

“Continuar a olhar para os pobres. Continuar a defender a dignidade de cada pessoa. Continuar a promover o voluntariado e a gratuidade. Continuar a construir uma Igreja próxima. Continuar a recordar que a caridade nunca dispensa a justiça. Continuar a não passar ao lado”, afirmou.

As cerimónias fúnebres de Eugénio Fonseca realizaram-se na manhã desta segunda-feira, dia 17, na Sé de Setúbal, seguindo o cortejo para o cemitério Nossa Senhora da Piedade; o antigo presidente da Cáritas morreu dia 12 de agosto, aos 69 anos de idade, vítima de paragem cardiorrespiratória.

PR

Foto Agência ECCLESIA/HM, Funeral de Eugénio Fonseca

Nascido em 1957, Eugénio Fonseca era natural de Setúbal e licenciado em Ciências Religiosas pela Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa.

Ao longo do seu percurso, passou por vários cargos tendo, a nível local e regional, sido membro da Comissão Distrital de Luta Contra a Sida, entre 1994 e 199, e integrado o Observatório que avaliou os resultados da Operação Integrada de Desenvolvimento da Península de Setúbal, de acordo com o Instituto Diocesano de Formação Cristã (IDFC).

Além disso, fez parte do Conselho Social da Faculdade de Ciência de Economia e Empresas da Universidade Lusíada e em 2009 constituiu o Conselho Geral do Instituto Politécnico de Setúbal, tendo passado a presidir a este Conselho a partir de 2016 até 28 de abril de 2017.

Desde 5 de Maio de 2015 a 20 de abril de 2021, Eugénio Fonseca presidiu ao Conselho Consultivo do Centro Hospitalar de Setúbal e em outubro de 2017 assumiu a vice-presidência da Direção da Obra Social Jean Émile Anizan.

Entre 2018 e 2023, o presidente da CVP foi membro da Comissão de Ética para a Saúde da Universidade Católica e entre 2021 e 2023 integrou a Direção da Associação o “Ninho”; Integrou ainda o Conselho Geral do ISCTE Instituto Universitário de Lisboa.

A nível nacional, Eugénio Fonseca foi presidente-adjunto da União das Instituições Particulares de Solidariedade Social, agora designada de Confederação das Instituições de Solidariedade Social, desde 1996 até 2012; no mesmo período, integrou a Comissão Nacional do Rendimento Mínimo Garantido, agora designada Comissão Nacional do Rendimento Social de Inserção.

Em 2006, foi escolhido pelas Associações Nacionais de Voluntariado para assumir a presidência da Comissão Instaladora da Confederação Portuguesa de Voluntariado, tendo em 2009 sido eleito para a presidência da direção desta Confederação, cargo que ainda exercia.

De 2013 até 2015, por Despacho do Ministro da Educação, Eugénio Fonseca presidiu ao Júri do Selo de Escola Voluntária e entre 2014 e 2016 feito parte, como vogal, o Conselho das Ordens de Mérito Civil.

Em 5 de julho de 2016, tomou posse como conselheiro no Grupo Consultivo para a Integração das Comunidades Ciganas (CONCIG).

Foram várias as distinções honoríficas que o antigo presidente da Cáritas Portuguesa recebeu ao longo da vida, entre elas a Ordem de Mérito de Grande Oficial, em junho de 2007, pelo então presidente da República, e a Medalha de Mérito Distrital, em maio de 2011, pelo Governador Civil do Distrito de Setúbal.

 

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