«A Igreja de Setúbal, as paróquias e instituições a ela ligadas já apoiam mais de 5.800 famílias, num total superior a 16.500 pessoas. E o número não para de crescer»

Setúbal, 16 mai 2020 (Ecclesia) – O bispo de Setúbal publicou hoje orientações para o regresso da celebração da Eucaristia com a presença física de fiéis e apela ao dom da partilha solidária para ajudar a enfrentar “situações económicas dramáticas para inúmeras famílias”.

“A Igreja de Setúbal, as paróquias e instituições a ela ligadas já apoiam mais de 5.800 famílias, num total superior a 16.500 pessoas. E o número não para de crescer. Peço muito encarecidamente que olheis com coração de misericórdia para as inúmeras famílias que passam por graves carências dos bens mais elementares”, escreve D. José Ornelas numa nota pastoral «Retoma das celebrações públicas nas igrejas».

O responsável apela a que se assuma o “dever de contribuir para a sustentação da própria paróquia” pois, indica, “as despesas continuam sem celebrações” bem como a ajuda a “inúmeras famílias com consequências económicas dramáticas” devido à pandemia do Covid-19.

A diocese vai lançar uma campanha de recolha de “géneros e fundos para acudir a esta grande necessidade”, com ponto de partida nas paróquias, e com a ajuda da Cáritas diocesana, “expressão da caridade de toda a Igreja de Setúbal” que com a sua “experiência e capacidade”, ajudará a “minorar as carências de quem precisa”.

D. José Ornelas afirma que “em breve serão dadas novas indicações sobre a organização da campanha”.

O responsável indica que as igrejas devem ser lugares de “acolhimento, de bem receber, acomodar e oferecer as melhores condições de participação nas celebrações”, e que os grupos de acolhimento preparados não terão a vocação “de vigilância e controlo ou policiamento” mas de “cuidar para que todos se sintam bem e que a segurança de ninguém seja posta em causa, segundo as indicações que são dadas.

Pede o bispo que “para maior segurança das pessoas pertencentes a grupos de risco, estas não devem integrar os grupos de acolhimento”.

“Em nenhum caso se pode permitir que a festa e o encontro dos irmãos se transformem em focos de perigo, doença ou morte. Mas também não queremos que o medo nos impeça de viver e de celebrar”, sublinha.

As orientações prestadas contam com “a responsabilidade e a boa vontade de cada um”, nos diversos momentos da celebração.

“A par do uso de máscaras, medidas de higienização e outras, a segurança depende também do distanciamento entre pessoas, segundo as normas estabelecidas. Isso levará a uma significativa redução do número de presenças em cada celebração. As paróquias verão, em cada caso, como organizar o espaço celebrativo e os tempos de celebração, informando os fiéis, de modo que a todos seja oferecida a possibilidade de participar na Eucaristia”, indica.

As mais fragilizadas poderão participar presencialmente na Eucaristia, durante a semana, em lugar do domingo, e os sacerdotes “celebrar mais vezes a Eucaristia no fim-de-semana, procurando, se possível, não ultrapassar as cinco celebrações”.

O bispo de Setúbal indica o regresso da celebração dos sacramentos do batismo, matrimónio, reconciliação e santa unção, bem como “primeiras comunhões ou promessas de escuteiros, no respeito pelas normas indicadas para cada caso”.

“Até ao fim deste ano pastoral, não terão lugar celebrações da confirmação. Ulteriores indicações serão dadas a partir do mês de setembro”, indica.

A celebração das exéquias cristãs retoma “o seu lugar nas igrejas, nas capelas mortuárias e/ou no cemitério, com a presença de familiares, respeitando normas de segurança idênticas às da celebração da Eucaristia e adaptando o número de participantes às dimensões e características de cada ambiente”.

O bispo de Setúbal sublinhou o tempo de “graça” com a “aproximação do momento em que a Eucaristia e outros atos litúrgicos vão ser celebrados nas igrejas, com a presença da comunidade, no contexto da melhoria da condição sanitária do país”.

O responsável valorizou a “dedicação criativa” em tempo de confinamento, desenvolvida pelos sacerdotes, “incansáveis na reconversão dos gestos pastorais para velar pela fé e a comunhão das comunidades” e também pelo “engenho de tantas pessoas, grande parte jovens, que criaram e geriram plataformas de comunicação das paróquias com as famílias e as pessoas isoladas”.

LS

 

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