Diácono Jonas Cardoso disse que o Santuário de Cabo Espichel está em transformação, lembrou a importância da Arrábida e o bom exemplo do Santuário de Cristo Rei
Lisboa, 21 ago 2026 (Ecclesia) – O coordenador Pastoral do Turismo de Setúbal destacou a aposta diocesana no Cabo Espichel, afirmou que têm de “ter os equipamentos abertos”, e, referindo-se ao tema da privatização de praias, lembrou que “Deus quando criou, criou para todos”.
“Foi uma aposta começarmos pelo Cabo Espichel, estamos a preparar um espaço expositivo, mas também um espaço onde as pessoas podem levar uma recordação, porque a pessoa vem e entra como turista”, disse o diácono permanente Jonas Cardoso, esta sexta-feira, 21 agosto, em entrevista à Agência ECCLESIA.
O coordenador Pastoral do Turismo da Diocese de Setúbal destacou a “beleza do Cabo Espichel, aquele promontório”, onde se percebe como as pessoas são “pequenas perante tanta coisa bela”, para além dos equipamentos, a Casa da Mãe de Água e a igreja do Santuário de Nossa Senhora do Cabo, “que está belíssima”.
“Uma igreja que está bem iluminada, bem trabalhada, um fundo de música, e a pessoa sente que é pequena, a pessoa sente que há qualquer coisa acima de si, mesmo não crente. E a Igreja tem que estar preparada para acolher todos aqueles que fazem só turismo, aqueles que não querem nem saber que nós existimos, aqueles que entram como peregrinos, mas aqueles que entram também como turistas e podem vir a sair como peregrinos”, desenvolveu.
Para o entrevistado, é preciso saber acolher as pessoas, mesmo aquele que, às vezes, vai “menos bem preparado a nível da indumentária, porque está como turista”, e é necessário “ter essa capacidade”, “porque o mundo hoje é tão descristianizado”, que têm que “saber acolher aquele que acabou de fazer mergulho”, que chegou ao santuário ou à cidade de Setúbal de bicicleta, “e que vem transpirado”, mas quer estar ali.
“Temos que ter todos os nossos equipamentos abertos. O D. Américo Aguiar pede-nos para termos as igrejas abertas, para que se possa rezar, mas também para que se possa contemplar.”
O diácono Jonas Cardoso, que profissionalmente também está na área do turismo num município local, explica que Sesimbra, Setúbal e Palmela têm “belíssimas igrejas”, e, na diocese católica, estão a desenvolver um projeto para a cidade sadina, replicar o modelo do Cabo Especial “para algumas igrejas”.
O Santuário de Cristo Rei, em Almada, é a zona mais visitada da Diocese de Setúbal, recebeu “um milhão e cem de visitantes no ano transato, o que é muita gente”, e na Pastoral do Turismo querem “copiar um bocadinho aquela organização”, “copiar os bons exemplos”.
Sobre as estratégias do turismo para a região da Arrábida, nomeadamente a privatização de espaços, de praias, limitação de acessos, o coordenador diocesano deste setor destaca que “Deus quando criou, criou para todos, não criou só para alguns”, e lembrou que a Câmara de Setúbal “muito bem” já disse que “a praia é para todos e é de todos”.
“A Arrábida é tão grande que chegamos ao Cabo Espichel. São zonas idílicas, são zonas onde percebemos, de facto, nós, católicos, percebemos a criação, percebemos o amor de Deus para connosco, percebemos que Deus nos deu tanta coisa bela para podermos contemplar. Nós, criaturas, olhando o Criador.”
“Um espaço maravilhoso onde se consegue estar, onde se consegue passear, onde se consegue fazer turismo, mas também se consegue rezar. Portanto, há esta diversidade, é uma beleza olharmos para esta possibilidade que temos naquele território” explicou o coordenador da Pastoral do Turismo, no Programa ECCLESIA, onde também comentou as leituras do próximo domingo, na RTP2.
O Programa ECCLESIA dedicou as últimas sextas-feiras, desde 31 de julho, à Pastoral do Turismo, com os responsáveis de diferentes dioceses católicas de Portugal a partilhar destinos a conhecer, para além de Setúbal, também Lisboa. Braga e Viana do Castelo, com a romaria da Nossa Senhora da Agonia, que está a decorrer até domingo, dia 23 de agosto.
PR/CB




