Seminário menor de Nossa Senhora da Graça defende complementaridade entre plataformas online e encontros presenciais

Lisboa, 02 nov 2020 (Ecclesia) – O Seminário menor do Patriarcado de Lisboa lançou uma proposta para que todos os que a equipa vocacional acompanha possam continuar o seu percurso de discernimento, em tempo de pandemia, acompanhados pelas famílias.

“Este ano está tudo mais estruturado. Há um encontro online, com mais oferta e subsídios de oração que os rapazes em casa experimentam e vivem. Atendendo às etiquetas de higiene e distanciamentos sociais criámos encontros mais curtos do que tínhamos, mas onde nos podemos encontrar e rezar em conjunto, momentos de formação e essa complementaridade é importante”, explica à Agência ECCLESIA o padre Rodrigo Alves, prefeito do Seminário de Nossa Senhora da Graça, em Penafirme e diretor adjunto do pré-Seminário.

Esta experiência concertada está em curso há cerca de “um mês e meio” e o grande desafio, assume o responsável é “colocar as famílias a participar”.

“As famílias agradecem a complementaridade do online e do presencial. Foi importante pormos as famílias rezarem a vocação com os filhos: não é dizerem aos filhos qual a sua vocação – pode ser uma tentação – mas rezarem com eles e desafiá-los a isso”, acrescenta.

O padre Rodrigo Alves, sacerdote há quatro anos, entende que o homem foi feito para a relação mas indica que os meios digitais onde os “rapazes vivem” são “bons recursos”, desde que haja “boas ofertas” e indica a importância de “dar critérios” perante a grande oferta que o mundo digital tem.

“A nós compete-nos lançar os desafios, perguntas e inquietações e ir acompanhando as respostas. Isto requer tempo, profundidade cristã e espiritual e não se faz de um dia para a noite. Não há um manual, caso contrário era fácil. Cada história é uma história, isto pede tempo”, reconhece.

Também por isso, sublinha o entrevistado, as vocações não surgem apenas entre as pessoas acompanhadas pela equipa vocacional.

Contamos com as paróquias, catequistas e párocos e todos são fundamentais no crescimento de cada rapaz. Há rapazes que se inscreveram porque encontraram informação na Internet, foram à procura, mas o maior número começa o caminho porque uma catequista viu num rapaz uma maior capacidade de escuta, um pároco que viu num acólito uma maior capacidade para servir”.

O padre Rodrigo Alves indica ser belo o trabalho de acompanhamento vocacional, porque se vê “Deus cruzar a história de muitos rapazes”.

“É belo ver as respostas a acontecer. Não vemos propriamente Deus a chamar mas vemos muitos a responder. E isso alegra-nos e mostra que este trabalho está a acontecer”, sublinha.

Aos mais novos, aponta o responsável, importa “dar critério” e ajudar ao “silêncio e à escuta”: “Há muita dificuldade em estar para aquele tempo. E na vida espiritual as coisas não se medem pela produtividade, mas por fazerem bem”.

Como ponto de partida, o sacerdote indica que a inquietação e a “primeira pergunta” pode acontecer através das plataformas digitais.

“Às vezes é residual a inquietação, é normal claro, mas a primeira procura acontece nos mundos onde circulo. Se nesses mundos existe esta oferta e inquietações, estou em crer que há de ter resposta. Não seria nem o primeiro nem o segundo caso que acontece. Começa por ai. Claro que depois adquire outras componentes”, indica.

O padre Rodrigo Alves afirma que o trabalho que desenvolvem no mundo digital “vai sendo experimentado”, através da “partilha de experiências, que é fundamental”, e aos poucos, “também por causa da pandemia da Covid-19”, avançou-se com proposta online mais consistentes.

“O ritmo alucinante que vivemos em termos de tecnologia e informação é muito grande. Já cresci e ainda hoje me mexo, também com necessidades pastorais, nos mesmo mundos e atmosferas. A partir delas aproveitamos o que é do Evangelho e desafiamos a um caminho mais profundo, não ficando prisioneiro disso, entendendo esse mundo para convidar para outros mundos”, finaliza.

A Igreja Católica em Portugal vive de 1 a 8 de novembro a Semana dos Seminários de 2020, com o tema ‘Jesus chamou os que queria e foram ter com Ele’ (Mc. 3,13).

Os subsídios para a iniciativa incluem um guião, sugestões de catequeses e aulas da disciplina de EMRC – Educação Moral e Religiosa Católica, uma oração, o hino e um cartaz; os materiais foram preparados pelos formadores das dioceses do Algarve, Beja e Évora e estão disponíveis no sítio online da Comissão Episcopal Vocações e Ministérios.

LS

Seminários: Comissão Episcopal prepara plano nacional para formação de futuros padres (c/vídeo)

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