Semana «Laudato Si»: «Todas as minhas ações impactam no mundo inteiro», afirma Rita Reino

Grupo Cuidar da Casa Comum da Paróquia de Santa Isabel apela à mudança de comportamentos, no contexto da campanha anual que tem por tema «Da esperança à ação» e decorre entre os dias 17 e 24 de maio

Lisboa, 19 mai 2026 (Ecclesia) – Rita Reino Assunção, do Grupo Cuidar da Casa Comum da Paróquia de Santa Isabel, no Patriarcado de Lisboa, defendeu a necessidade de agir perante a crise ecológica que o mundo vive, sublinhando que as ações de cada um afetam o mundo todo.

“Todos os gestos contam, não há dúvida nenhuma, é o meu cavalo de batalha, todas as minhas ações aqui impactam no mundo inteiro. Nós ouvimos falar do efeito borboleta a nível da ciência e a nível da ecologia integral e a nível do mundo inteiro, o efeito borboleta é importantíssimo”, afirmou, em entrevista ao Programa ECCLESIA, transmitido hoje na RTP2.

A Igreja Católica vive a Semana Laudato Si’, de 17 a 24 de maio, iniciativa realizada para comemorar o aniversário da histórica encíclica do Papa Francisco sobre o cuidado com a criação, que este ano tem como tema “Da esperança à ação. Juntos, podemos transformar nossa fé em passos concretos pela nossa casa comum”.

“Os marcos são sempre importantes para pararmos e não andarmos na corrida do dia-a-dia”, defende Rita Reino Assunção, refletindo sobre a importância do lema da campanha deste ano.

“Nós não podemos ficar só na esperança, nós temos que agir”, destacou, acrescentando que os acontecimentos não podem ficar apenas pelo calendário, “têm que ser transformadores”.

Além de pertencer ao Grupo Casa Comum, da Paróquia de Santa Isabel, Rita Reino é animadora Laudato Si’, designação que surgiu após a encíclica do antecessor de Leão XIV, com o objetivo de formar pessoas nas comunidades, nos diferentes grupos e na vida civil.

“O Papa Francisco tinha esse cuidado. Escreveu para nós, católicos, mas escreveu para o mundo inteiro e desafiou os católicos a intervirem num mundo fora de portas, se isso é possível, mas na Casa Comum”, referiu.

A entrevistada lembra que os cursos de animadores em português iniciaram-se em 2021 e que, ao princípio, Portugal tinha muito pouca representação.

“Neste momento já somos muitos, espalhados de norte a sul e somos essa semente em cada paróquia e em cada comunidade”, referiu.

Segundo explica, “o objetivo do animador Laudato Si’, além de perceber como é a encíclica e os pontos da ação” que impelem a agir, é ter “ferramentas para não criar mais uma estrutura dentro da igreja” ou “mais uma estrutura dentro da paróquia”.

Rita Reino Assunção refere que estes membros procuram ter uma influência “ativa” e “transformadora”, quer seja nas diversas pastorais, na catequese ou na ação social.

A Ecologia Integral é um caminho, não é de um dia para o outro, é um caminho que nós vamos fazendo e é um caminho de transformação na ação”, lembrou.

A entrevistada realça que na encíclica Laudato Si’, o Papa frisou muitas vezes que “tudo está interligado” e que não pode haver caixinhas.

“O que os animadores Laudato Si’ tentam fazer é deixar de haver a caixinha da catequese, a caixinha da liturgia e unir tudo e fazer um fio condutor para que tudo esteja interligado e a ação aconteça”, disse.

A entrevistada dá conta que, atualmente, estes agentes estão a tentar consciencializar algumas paróquias, dioceses e bispos, para o cuidado com a criação.

“A tal influência a nível prático, das mudanças de comportamento, de como usamos a energia, de como fazemos a reciclagem, de como podemos poupar, isso a nível ecológico puro, mas a ecologia integral não é só essa parte, é depois a mudança de comportamento, a oração, o olhar para o outro”, mencionou.

A integrante do Grupo Cuidar da Casa Comum, da Paróquia de Santa Isabel, salienta também a importância de sensibilizar para o facto de que “todas as ações têm influência” e aquilo que é feito de um lado do mundo impacta a outra parte.

Os animadores Laudato Si’ tentam muito criar essa consciência e é possível fazer todos os dias na nossa casa, educando os nossos filhos, educando as nossas crianças da catequese, da escola, os vizinhos, e educar no sentido íntimo do Evangelho”, ressaltou.

Rita Reino Assunção deu ainda o exemplo da mudança de mentalidades e de discursos para mudar comportamentos.

“Não é educar só ‘fecha a luz porque estás a gastar dinheiro em vão’ ou ‘poupa a água porque vai para o caixote lixo essas moedas quando deixamos a água correr’. Não, nós temos que poupar a água porque é um bem escasso, nós temos que poupar a água porque há irmãos nossos que podem vir a morrer por falta de água”, enfatizou.

Rita Reino, do Grupo Cuidar da Casa Comum da Paróquia de Santa Isabel, acredita que esta “consciência global” pode levar à mudança de atitudes, lembrando que Deus criou tudo para uma harmonia e que humanos têm a obrigação de tratar dessa criação.

LS/LJ/PR

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