Igreja Católica em Portugal convida a celebrar Semana da Vida 2022 com o tema «A Vida que Acolhemos»

Lisboa, 10 mai 2022 (Ecclesia) – O médico psiquiatra Pedro Macedo e a irmã Inês Senra, Serva de Nossa Senhora de Fátima, partilharam a importância do cuidar e da atenção à pessoa em fragilidade, dependente, e aos idosos, no contexto da Semana da Vida.

“A questão do sofrimento é sempre muito subjetiva, não conseguimos perceber exatamente o que é o grau de sofrimento de uma pessoa”, assinalou Pedro Macedo, esta segunda-feira, em entrevista emitida no Programa ECCLESIA (RTP2).

Sobre o sofrimento na fase final da vida, o médico psiquiatra observou que se prende com “muita coisa e com a pessoa ser capaz de ao longo da vida ir olhando para a frente”, percebendo-se, estar atenta a ela própria, e ter elementos como “o sentimento de satisfação, a plenitude”.

Pedro Macedo, que acompanha pessoas “ao longo da vida”, e segue algumas “com mais de 100 anos”, refletiu sobre o final de vida, “está presente ou não está presente”, e destaca que os católicos conseguem “lidar melhor com esta situação”, pela forma de olhar para a vida e para o que é que é a morte.

“A questão da finitude traz muita complexidade e isto implica tudo na forma como é vivido o sofrimento e como pode ou não ser acompanhado de forma eficaz”, acrescentou.

A Igreja Católica em Portugal está a celebrar a Semana da Vida 2022, até 15 de maio, com o tema ‘A Vida que Acolhemos’, tendo como inspiração “a parábola do Bom Samaritano”.

A irmã Inês Senra, da Congregação das Servas de Nossa Senhora de Fátima, recordou que há 15 dias faleceu uma religiosa com 98 anos que “há bastantes anos não mexia nada”, e quando estava com ela “era sempre motivo para uma reflexão” sobre o sentido da vida, e via não só a pessoa que sofre, que está dependente, mas também a pessoa que cuida.

“A maior parte das vezes não dizia uma palavra mas para mim este contacto com a debilidade extrema ajudou-me a ser melhor. Ser mais paciente, a fazer as coisas pela pessoa, a ser mais gratuita, e depois a fazer uma experiência da nossa vida: Não é quando morrem as células todas que a vida acaba, sabemos que a vida continua”, acrescentou, destacando a “aprendizagem” do cuidador ao estar com uma pessoa que “está no limite”

Pedro Macedo salientou que este é um exemplo de “grande sensibilidade no sentido da proximidade, da escuta, da relação com o tocar”, por exemplo.

“É muito importante a pessoa do cuidado, a confiança e segurança que dá à pessoa que está numa fragilidade extrema. A pessoa tem consciência e responde positivamente, mesmo quando esta no limite, percebemos na expressão do rosto por aquela presença”, acrescentou a irmã Inês Senra.

A ‘Semana da Vida’ começou com uma celebração mariana e vai encerrar com uma Eucaristia; Cada dia tem um tema específico: “Os que ainda não nasceram”, “Adoção”, “Os refugiados”, “O que é diferente”, “O que sofre”, “O que cuida” e “Família, lugar de acolhimento”.

No Vaticano foi divulgada hoje a mensagem do Papa para o II Dia Mundial dos Avós e Idosos, que a Igreja Católica vai celebrar a 24 de julho; Francisco condena o “descarte” e a segregação dos idosos e sublinha o papel dos mais velhos para “conversão que desmilitarize os corações”.

PR/CB/OC

Igreja/Família: «Vida que acolhemos» é um tema que requer «caminho em conjunto» (c/ vídeo)

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