Padre Francisco Ruivo defende que mudança de comportamentos tem de partir «do coração de cada um» e sublinha que é preciso mudar o rumo, a propósito de celebração anual
Lisboa, 15 mai 2026 (Ecclesia) – O assistente nacional do Departamento Nacional da Pastoral Familiar, da Conferência Episcopal Portuguesa, afirmou que a Semana da Vida é “um grito” para chamar a atenção para várias situações que acontecem no quotidiano e que violam os direitos humanos.
“A Semana da Vida vale para nos chamar à atenção. Às vezes andamos tão distraídos, tão envolvidos nas nossas pequenas coisas que esquecemos aspetos tão fundamentais que nos ajudariam a sermos até mais felizes”, afirmou o padre Francisco Ruivo, em declarações ao Programa ECCLESIA, transmitido hoje na RTP2.
A iniciativa iniciou-se a 10 de maio e termina no próximo domingo, com o tema “Bem-aventurados os que Protegem a Vida”, tendo o DNPF disponibilizado vários materiais para a vivência desta celebração.
O padre Francisco Ruivo defende que “não respeitar os direitos humanos é uma violação à própria vida” e que essas violações são encontradas não apenas de forma macro, dando o exemplo das guerras entre países, mas também em pequenos grupos, apontando a xenofobia, que se a assiste a nível nacional e se “vai perpetuando”.
“O próprio bullying nas escolas que hoje encontramos tanto e com a agravante de ser publicado nas redes sociais, com estas possibilidades todas que têm, é, no fundo, uma verdadeira violência aos direitos humanos. Eu diria que são os pecados contra a vida”, refere.
Para o assistente nacional do DNPF, a mudança deve partir do “coração de cada um”, no sentido de respeito, proximidade e escuta do outro, salientando que é a partir daí que se vai “transformando o mundo”.
Temos o desejo todos de que o mundo viva em paz, que haja respeito pela dignidade humana, mas se não começar em mim, não posso exigir dos outros”, disse.
Na mensagem de apresentação da Semana da Vida, o padre Francisco Ruivo deixa também alertas para a violência doméstica e o abandono dos idosos.
“As pessoas muitas vezes morrem sozinhas, completamente abandonadas. O não procurar o outro, o não ser capaz, o viver indiferente ao sofrimento do outro, tudo isto muitas vezes nós experimentamos nas nossas vidas. É preciso mudarmos o rumo”, disse o sacerdote, em entrevista à Agência ECCLESIA.
Sobre a Semana da Vida e aa relação com as novas gerações, o padre Francisco Ruivo apontou que as redes sociais e os podcasts podem ser uma forma de cativar os mais jovens para a iniciativa.
“Isto é um processo longo, esta necessidade de mudança não acontece de uma forma, diremos, não há um limite de tempo, é todo o tempo para mudarmos”, referiu.
O sacerdote da Diocese de Santarém abordou a importância de preparar as novas gerações para as dificuldades da vida e de não lhes esconder o sofrimento, que, segundo entende, deve ser encarado como uma forma de crescer.
Para o padre Francisco Ruivo, as propostas da Semana da Vida podem constituir caminhos que iluminarão também decisões legislativas e de relações entre partidos políticos.
Quando nós de facto apresentamos a vida como um dom inviolável, desde a concessão até à morte natural, eu creio que isto toca bem aquilo que deveria estar sempre presente nas cidades, nos legisladores, precisamente no respeito pela própria vida”, mencionou.
“Não é uma coisa que seja só da Igreja, mas a própria sociedade em si, se não tiver este cuidado de zelar pela vida de todos, pela dignidade humana, pelo respeito pelo outro, as comunidades vão-se destruindo completamente, desumanizam-se completamente”, acrescentou o assistente nacional do DNPF.
Na página oficial da Semana da Vida podem ser encontrados vários contributos, como a apresentação da iniciativa, o terço, a vigília e a oração, bem como um texto do padre João Basto, de Viana do Castelo, e o testemunho de vida de Francisco Maymone Martins, Prémio Vida 2026.
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