Luciana Correia lamenta lacuna na formação e acompanhamento espiritual e humano nesta fase da vida, que expressa foco da Igreja nos «sacramentos» e não no processo

Lisboa, 14 fev 2021 (Ecclesia) – Luciana Correia, do setor Fé e Espiritualidade do Departamento de Pastoral Juvenil da Diocese de Aveiro (DPJ), afirmou que a Igreja Católica precisa de fazer um caminho de abertura e acolhimento aos jovens em fase de namoro.

“Pecamos enquanto Igreja. Há a perspetiva de entender o namoro como o limbo, quase não existe – ou não namoramos ou casamos. E os jovens associam que quando alguém da Igreja lhes fala do assunto é para impingir o casamento”, refere à Agência ECCLESIA.

A entrevistada entende que a fase de namoro “é tão importante como o casamento” e deve ser vista como um caminho de preparação e acompanhado.

“Esta preparação durante o namoro pode ter um impacto grande no que são as taxas de divórcio. Se o tempo que estamos juntos, antes do «Quero ficar contigo para sempre», se não for um tempo frutífero de caminho efetivo, então esse caminho terá de ser feito durante o casamento, e pode-se perceber que não resulta, que afinal não era nada daquilo que se queria”, aponta a jovem, formada em Psicologia.

Esta análise parte da reflexão que o Departamento de Aveiro tem realizado e “percebido noutros locais”, percebendo que escasseiam propostas para os jovens.

Luciana Correia lamenta o foco “nos sacramentos” e não nos processos.

“Depois da catequese e dos grupos de jovens, nalgumas paróquias, há uma lacuna no acompanhamento aos jovens, que regressa quando decidem contrair Matrimónio. Nessa altura têm preparação, deixam de ter outra vez e voltam a ter acompanhamento no Batismo dos filhos. Estamos ainda muito focados nos sacramentos e não é esse o objetivo”, explicita.

A valorização do tempo de namoro com uma pastoral específica, torna, no entender da responsável, a Igreja “num espaço mais acolhedor para os jovens”.

Luciana Correia fala em “casos de violência no namoro a aumentar” que poderiam ser combatidos, “também pelo acompanhamento da Igreja Católica”.

“Isso é algo que pode ser trabalhado e passa pela colocação de limites e saber aceitar os limites do outro. Faz parte da nossa função como Igreja, não apenas o catequizar mas a formação de pessoas bem formadas”, afirma.

A Comissão Episcopal Laicado e Família publicou uma mensagem, a propósito do Dia dos Namorados, onde afirma o tempo de namoro como “uma fase iluminadora” para toda a vida.

O DPJ de Aveiro começou em 2020 a propor uma incitativa em torno do Dia dos Namorados, ‘Amar a 3’, que pretende ser uma “atração” para fazer um acompanhamento com os jovens de forma mais contínua e sem esconder o convite a que “Deus namore com o casal”.

O objetivo é ajudar os jovens a fazer um caminho “cristão” e enquanto pessoas; as respostas são consideradas positivas.

“Para muito jovens é surpreendente termos esta abertura. Se os participantes nas nossas atividades, num ano namoram com uma pessoa e no outro ano estão a namorar com outra, não faz mal. Está tudo bem e nós não vamos julgar. É bom perceber que faz parte do processo de crescimento e descoberta”, explica Luciana Correia.

O programa Ecclesia deste domingo (06h00), na Antena 1 da rádio pública, coloca em destaque os desafios para uma pastoral de namorados, desenvolvidos nas dioceses de Leiria-Fátima e Aveiro.

LS

 

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