Pastoral de namorados da Diocese de Leiria-Fátima quer ajudar a valorizar esta fase com propostas de desenvolvimento humano e espiritual

Leiria, 13 fev 2021 (Ecclesia) – O padre José Augusto Rodrigues, responsável pelo Departamento Pastoral Familiar da Diocese de Leiria-Fátima, afirmou que a pandemia está a causar sofrimento entre casais de namorados e “noivos que tiveram de voltar a ser namorados”.

“Não faz sentido a um par de namorados, que se conheceu em janeiro de 2020, pare de namorar até a pandemia passar; ou um casal, que tendo um caminho conjunto, estão a viver um tempo de maior confusão. Como se ultrapassa com a distância? Ou noivos que tiveram de dar um passo atrás e passar a ser namorados”, explica à Agência ECCLESIA o responsável.

Segundo o sacerdote, assumir que esta é uma “prova enorme ao seu amor” e reconhecer ser um momento “doloroso” é o primeiro passo, que necessita depois de um enquadramento e acompanhamento.

“Está envolvido mais do que a sua fé, envolve o sacramento mas também a festa. Sabemos que o casamento não é a festa mas também é a festa. Quando se cancela a receção, se reduz os convidados, os avós não podem ir porque são de risco. Isto causa um grande sofrimento e aquele que seria o grande dia dos noivos, tem de ser enquadrado neste contexto”, indica o entrevistado.

O padre José Augusto pede que a Igreja esteja atenta a estes casos, para que “os sonhos, o abdicar de projetos, o adiamento de ter filhos”, possa ser acompanhado de para que os casais acreditem que “Deus continuam presente”.

Também na fase de namoro, o responsável reconhece a dificuldade dos encontros presenciais, “tão necessários nesta altura”.

“Se o sacramento do matrimónio é a proposta da união de duas vidas, aqui também as pessoas precisam de dar pequenos passos para aquilo a que o sacramento do matrimónio os vai chamar e não o poderem fazer é muito difícil”, aponta o responsável pelo Departamento Pastoral Familiar.

A Diocese de Leiria-Fátima tem procurado desenvolver uma atenção aos casais de namorados, no que o responsável pela pastoral familiar reconhece ter sido um “reforço de necessidade” feito pelo Papa Francisco, na encíclica ‘Amoris Latetitia’.

“O Papa Francisco reforça a necessidade e urgência, atribuindo de forma direta a responsabilidade às comunidades cristãs de acompanhar os jovens no seu percurso”, sublinha.

O responsável reconhece que a realidade dos jovens é atualmente muito “indefinida”, quer na idade, como nos percursos profissionais, o que coloca “desafios enormes” a esta etapa de vida à qual “a Igreja não pode deixar de dar uma resposta”.

A Igreja deseja estar presente ao longo de todo o percurso dos seus filhos – temos a catequese, os grupos de jovens, mas depois temos os movimentos familiares. Há um hiato, que é onde entra esta experiência de namoro. A Igreja não pode estar ausente disto e é necessário pensar e endereçar propostas para ajudar a um amadurecimento humano e cristão”.

A diocese de Leiria Fátima tem apostado numa “pastoral pré-matrimonial ou de namoro” a que chamou «3 x sim», onde procura “pensar, preparar e propor atividades para os namorados”.

Desde então já propôs espaços como o Jantar de São Valentim, serões de reflexão para namorados e, em colaboração com a diocese de Coimbra, foi realizada uma peregrinação de namorados a Fátima.

“São eventos, aos quais procuramos dar seguimento possível, que servem de suporte para levar a outros”, indica o padre José Augusto que acrescenta ainda a sua disponibilidade para acompanhar casais de namorados de forma individual.

O programa Ecclesia deste domingo (06h00), na Antena 1 da rádio pública, coloca em destaque os desafios para uma pastoral de namorados, desenvolvidos nas dioceses de Leiria-Fátima e Aveiro.

LS

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