Padre João Lourenço, biblista, recorda importância do Batista na missão de Jesus Cristo

Foto: C. M. Ponta do Sol

Lisboa, 23 jun 2021 (Ecclesia) – O padre João Lourenço, biblista e sacerdote franciscano, disse à Agência ECCESIA que São João Batista é uma das figuras “mais emblemáticas e ao mesmo tempo mais significativas” do Novo Testamento.

“Esta figura de João Batista tornou-se no Novo Testamento uma figura emblemática por várias razões: a primeira é a ascese que assume, a austeridade, para preparar, não só através da missão mas também através da sua pessoa, o advento, a chegada daquele que seria considerado a plenitude”, explicou o especialista no estudo de Sagrada Escritura, docente na Universidade Católica Portuguesa.

Em entrevista emitida esta quarta-feira no Programa Ecclesia, na RTP 2, o religioso franciscano salienta que a austeridade de São João Batista não se descobre “nos motivos festivos”, das festas populares, por isso, as referências ao texto bíblico “são importantes”, como é importante a perspetiva de “abrir portas” no santo que “vem para abrir portas, caminho, horizonte”.

O biblista sublinha que São João “é uma figura que ajuda a criar pontes” entre as celebrações populares e as “personagens centrais” da fé cristã.

Neste contexto, lembra que as festas joaninas “não são exclusivas de Portugal”, mas têm muita presença “em muitas localidades e lugares com grande relevância, com grande centralidade”, permitindo transmitir “memórias bíblicas e históricas, culturais, que eram uma espécie de cenários, de catequização à volta da figura de São João Batista”.

“Nestas festas temos várias perspetivas por onde as ler e há uma coisa muito importante. Estas festas trazem consigo um património cultural muito rica”, desenvolveu o entrevistado.

O padre João Lourenço realça que se recorre muito a “elementos de caracter folclórico” para figurar São João e convida a incluir “perspetivas de evangelização, de dimensão espiritual, de interpelação” nos momentos típicos de convívio.

As festas joaninas, acrescenta o religioso, tiveram nas suas origens “provavelmente cultos e tradições pagãs”, que estão muito ligadas às tradições romanas e também germânicas, e “estavam muito ligadas ao solstício de verão”, com São João “no centro e São Pedro e Santo António “no extremo”.

“O mês de junho era muito propício para a celebração e cultos ligados à fertilidade, à abundância das colheitas, aos primeiros produtos das searas, até temos uma festa bíblica sobre isso, que é a festa das semanas, das primícias. Muitas destas festas perduraram durante séculos e mais tarde foram cristianizadas a partir de figuras de referência, uma é João Batista”, contextualizou o padre João Lourenço.

O Papa lembrou hoje a solenidade do nascimento de São João Batista, que a Igreja Católica celebra esta quinta-feira.

“Amanhã é a festa do nascimento de São João Batista, enviado por Deus para dar testemunho da luz e preparar um povo disposto para o Senhor. Pela sua intercessão, desejo para cada um de vós abundantes graças, para que se fortaleçam as vossas intenções generosas de fidelidade ao chamamento do Senhor”, disse Francisco.

João Batista é, com a Virgem Maria, o único santo de quem a Liturgia católica celebra o nascimento (as festas litúrgicas assinalam-se, por norma, na data da morte); o Evangelho apresenta-o como primo de Jesus Cristo e o último dos profetas.

PR/CB/OC

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