As tradições de Natal no território da Diocese de Santarém mantêm-se coincidentes com o restante território nacional. Do fogo à Missa do Galo, do encontro das famílias à gastronomia, a vivência cristã parece encontrar aqui o mesmo fio condutor de outros pontos do país.

As igrejas recebem a tradicional representação do presépio cuja dimensão pode variar dependendo da escala do templo. Apesar disso, na maioria das paróquias, os sinais exteriores são também evidentes, através da construção de presépios de grandes dimensões nos adros das igrejas paroquiais e, em muitos casos, juntos às capelas dos lugares.
O Presépio torna-se, muitas vezes, lugar onde todas as famílias se fazem representar.

Na Igreja de Nossa Senhora da Piedade de Santarém, por exemplo, o presépio constrói-se, já há alguns anos, com a ajuda de flores e verduras que cada família oferece (e identifica) para ajudar a decorar uma grande estrutura, onde se distribuem as tradicionais figuras em barro do século XIX. Da tradição dos presépios barrocos, importa também destacar aquele que existe na Igreja de Misericórdia de Torres Novas. Ao nível artístico, este conjunto escultórico é, provavelmente, o mais relevante presépio no território da Diocese.

Na mesma linha, mas já fora das igrejas, podemos referir uma iniciativa particular desenvolvida há mais de vinte anos por Eurico Ribeiro: “o maior presépio do Ribatejo”. Projeto que inicialmente se construía na casa do autor, na Póvoa de Santarém, é apresentado, desde 2017, no Centro Histórico da cidade. Mais de 400 imagens em barro representam o quotidiano da região, as artes e ofícios tradicionais, assim como recriam diversos locais e monumentos emblemáticos do concelho.

Numa vertente mais turística, as Salinas de Rio Maior transformam-se, nesta quadra, na curiosa aldeia de “Presépios de Sal”! Uma forma original de aplicação do produto local para enquadrar os visitantes no espírito da época.

O presépio é ainda a figura central das atividades de serviço educativo propostas pelo Museu Diocesano de Santarém às várias escolas da região. Nas primeiras edições desta iniciativa, marcou presença um artesão escalabitano, o que, para além da transmissão das artes e ofícios proporcionou o tão salutar encontro de gerações.

Em 2021, por sugestão da Capelania do Hospital Distrital de Santarém, foi lançado o desafio a todos os serviços hospitalares para apresentarem, em concurso, um presépio original. A peça vencedora terá a oportunidade de integrar, temporariamente, a exposição do Museu Diocesano de Santarém, e aí enquadrar-se no conjunto expositivo dedicado ao Mistério da Encarnação, onde se destacam peças como a escultura do “Menino Jesus abraçando a cruz”, de Almoster.

Para ajudar a viver o espírito do Natal, o Bispo de Santarém, D. José Traquina, desde 2017, apresenta uma mensagem particularmente dirigida aos mais novos. Em jeito de conto, procura dar nova voz aos vários personagens que integram a representação do nascimento do Menino e a Adoração dos Pastores e Magos. Através das histórias assim contadas, novas referências e comportamentos são transmitidos às crianças, neste tempo em que o frenesim da sociedade ofusca a verdadeira essência de Deus que se faz Menino.

A música torna-se também elemento de excelência neste tempo. Nas sedes de concelho, as igrejas acolhem os tradicionais concertos de Natal, promovidos pelos diversos Coros, Bandas e Escolas de Música da região, oferecendo a toda a população momentos de beleza natalícia.

Eva Raquel Neves

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