Francisco destaca questões ligadas à emigração e à liberdade religiosa, no seu primeiro discurso em Bucareste

Foto: Lusa

Bucareste, 31 mai 2019 (Ecclesia) – O Papa Francisco iniciou hoje a sua primeira viagem à Roménia com elogios ao projeto democrático do país, 30 anos depois do fim do regime comunista, abordando questões ligadas à emigração e à liberdade religiosa.

“A Roménia libertou-se dum regime que oprimia a sua liberdade civil e religiosa e a isolava dos outros países europeus, levando-a também à estagnação da sua economia e ao exaurimento das suas forças criativas”, disse, no palácio presidencial de Bucareste, perante autoridades políticas, responsáveis religiosos e da sociedade civil, além de membros do corpo diplomático.

Francisco saudou a “terra formosa”, hoje construída “através do reconhecimento fundamental da liberdade religiosa e da plena integração do país no mais amplo cenário internacional”.

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O segundo pontífice a visitar a Roménia, 20 anos depois da viagem de São João Paulo II, foi recebido no aeroporto internacional de Bucareste pelo chefe de Estado, Klaus Werner Iohannis, acompanhado pela primeira-dama, tendo recebido um ramo de flores de duas crianças, em trajes tradicionais, antes de um primeiro cumprimento a vários representantes de comunidades religiosas.

A viagem de Francisco, que se prolonga até domingo, prevê passagens por várias regiões romenas e encontros com diversas minorias, num país de maioria ortodoxa, em que os católicos são cerca de 7% da população.

Na União Europeia desde 2007, a Roménia tem neste semestre, pela primeira vez, a presidência de turno do Conselho Europeu.

A cerimónia de boas-vindas ao Papa decorreu no complexo do Palácio Presidencial, onde Francisco foi recebido, em audiências privadas, por Klaus Werner Iohannis e, depois, pela primeira-ministra Vasilica Viorica Dancila.

No seu primeiro discurso, o Papa destacou os problemas gerados pela saída de milhões de romenos do seu país e pelo “despovoamento de tantas aldeias” no país.

Presto homenagem aos sacrifícios de tantos filhos e filhas da Roménia que enriquecem os países para onde emigraram, com a sua cultura, o seu património de valores e o seu trabalho e, com o fruto do seu empenho, ajudam a família que ficou na própria pátria”.

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Francisco defendeu uma “sociedade inclusiva”, que seja capaz de ouvir “os mais fracos, os mais pobres e os últimos”.

“Não é suficiente atualizar as teorias económicas, nem bastam – apesar de necessárias – as técnicas e capacidades profissionais. Com efeito, trata-se de desenvolver, juntamente com as condições materiais, a alma do vosso povo”, sustentou.

O Papa sublinhou, a este respeito, o papel das Igrejas cristãs na construção da vida comunitária e observou que os católicos são parte do “espírito nacional”, de forma plena.

“Deus abençoe a Roménia”, concluiu.

Após o discurso, o Papa cumprimentou o patriarca ortodoxo da Roménia, Daniel.

A agenda vespertina é totalmente ecuménica: um encontro privado com o patriarca Daniel, no Palácio do Patriarcado Ortodoxo Romeno (15h45, menos duas horas em Lisboa), seguido de uma reunião com o Sínodo Permanente e a oração do Pai-Nosso na nova catedral ortodoxa da Salvação do Povo; em 1999, o Papa João Paulo II fez um donativo para a construção do edifício.

O Patriarcado Ortodoxo da Roménia fez um inédito convite para que a população venha acompanhar o encontro, no adro da catedral.

O dia do Papa Francisco em Bucareste termina com a celebração da Missa na catedral católica de São José, pelas 18h10 locais.

OC

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