Francisco encerrou encontro diocesano, com discurso de cerca de 50 minutos

Roma, 09 mai 2019 (Ecclesia) – O Papa alertou hoje em Roma para o que chamou de “ditadura do funcionalismo” na Igreja Católica, desejando que as suas comunidades sejam capazes de ouvir a sociedade atual, com “humildade”.

“Quando o Senhor quer converter a sua Igreja, pega no que é mais pequeno e coloca-o no centro”, referiu, no discurso que proferiu na Basílica de São João de Latrão, encerrando o ano pastoral na Diocese de Roma.

“A reforma da Igreja começa com a humildade, que nasce e cresce com as humilhações”, acrescentou.

A intervenção, com cerca de 50 minutos, desafiou os participantes a evitar a indiferença ou o espetáculo de uma “comunidade presunçosa”.

Francisco recomendou a atenção ao próximo, em particular a jovens toxicodependentes, pobres, estrangeiros, pessoas que perderam a fé, idosos, pessoas com deficiência ou famílias em dificuldade.

“Ai de quem olha de cima para baixo e despreza os pequenos”, advertiu.

O Papa disse ser necessário olhar para lá das “aparências”, sem ver no outro um “inimigo”, e “ouvir o grito dos pobres”.

O discurso retomou preocupações com o “clericalismo” e o “funcionalismo”: “É uma nova colonização ideológica, que procura convencer-nos de que o Evangelho é uma sabedoria, uma doutrina, mas não é um anúncio”.

“Tudo merece ser deixado para trás e ser sacrificado, pelo bem da missão”, referiu o pontífice.

Segundo Francisco, o trabalho pastoral nas comunidades católicas é mais do que uma questão de “reorganizar” ou voltar a “arrumar”, porque às vezes é preciso “virar a mesa ao contrário”.

Na Basílica São João de Latrão estiveram o cardeal Angelo De Donatis, vigário do Papa para a Diocese de Roma, os bispos auxiliares, sacerdotes, religiosos, religiosas e centenas de leigos.

O Papa alertou os participantes no encontro para o risco de transformar uma diocese num “museu eclesiástico”, com tudo em ordem e “perfeito”.

“Isso significa domesticar as coisas, os jovens, o coração das pessoas, as famílias”, lamentou, pedindo que se deixe de ter medo dos “desequilíbrios” que exigem mudança.

Antes do encontro, o Papa cumprimentou, na sacristia da basílica, a família cigana do bairro romano de Casal Bruciato que foi vítima, nos últimos dias, de ameaças e insultos racistas.

Francisco recordou que, esta manhã, se encontrou com 500 rom e sinti, tendo ouvido “coisas dolorosas”.

“Os populismos crescem, semeando o medo”, observou.

OC

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