Roma: Arcebispo de Nampula denuncia violência extrema e apela a «primavera da paz» para Moçambique

Presidente da Conferência Episcopal alerta para situação no norte do país africano

Roma, 22 mar 2026 (Ecclesia) – O arcebispo de Nampula denunciou a violência terrorista no norte de Moçambique, apelando a uma primavera da paz perante a comunidade católica do país lusófono, reunida em Roma.

“Em Cabo Delgado e Nampula, alguns irmãos sem coração se dão o prazer de, sem a mínima piedade, decapitar os seus irmãos de modo tão cruel, como se degola uma galinha nas nossas aldeias africanas”, referiu D. Inácio Saure, este domingo, ao presidir à Missa do quinto domingo da Quaresma com a Associação dos Moçambicanos Católicos na Itália (MOCAT).

A intervenção, enviada hoje à Agência ECCLESIA, questionou a inação perante o extremismo islâmico em curso desde outubro de 2017.

“E aquilo que é ainda mais doloroso no caso das mortes de Cabo Delgado, é de ver todo um povo manietado a assistir impotente à dizimação dos seus filhos, sem nada poder fazer para pôr fim à carnificina.”

O presidente da Conferência Episcopal de Moçambique (CEM) alertou ainda para as recentes catástrofes naturais que agravaram o sofrimento no país africano.

“Este ano, como se o terrorismo não bastasse, a natureza veio a Moçambique também semear a morte com as cheias e inundações, sobretudo nas províncias de Maputo e Gaza”, indicou.

A partir da liturgia dominical, o responsável católico traçou um paralelismo entre a dor do seu povo e a visão bíblica dos ossos ressequidos do profeta Ezequiel.

“Em Moçambique, queridos irmãos e compatriotas, estamos de certo modo mortos. Sim, estamos mortos”, lamentou D. Inácio Saure.

Aparecerá um Ezequiel entre os mortos de Moçambique que anuncie uma mensagem de conforto e de esperança, não fantasiosa, demagógica nem falaciosa, mas uma mensagem de autêntica ressurreição do povo para uma nova vida?”

O prelado evocou o início da nova estação no continente europeu para desejar o fim do terror e dos desastres climáticos na sua terra natal.

“Chegará um dia a primavera da paz em Moçambique, que seja uma primavera da vida e não de sepulcro das guerras e das tristemente célebres épocas chuvosas e ciclónicas previsíveis, mas infelizmente incontroláveis?”, questionou.

A celebração eucarística na capital italiana contou com a presença dos embaixadores de Moçambique junto da Santa Sé e da República Italiana, bem como de vários estudantes e religiosos.

O arcebispo de Nampula, missionário da Consolata, encontra-se em Itália para realizar visitas à Casa-Mãe, em Turim, e à Casa Geral da sua congregação.

OC

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