RC Africana: Sacerdote foi assassinado a tiro no complexo paroquial de São João Baptista

Padre Crépin Monga foi morto em Zémio, uma «região marcada por muita violência», no leste do país africano

Foto: Fundação AIS

Lisboa, 01 jul 2026 (Ecclesia) – O pároco de São João Baptista, em Zémio, “uma região marcada por muita violência” na República Centro Africana (RCA) foi “assassinado a tiro” por homens que ainda não foram identificados, na noite desta segunda-feira, 29 de junho.

O bispo de Bangassou afirmou que a morte do padre Crépin Monga “é uma perda tremenda” para a comunidade local, informa o secretariado português da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), enviada esta quarta-feira, 1 de julho, à Agência ECCLESIA.

“Provavelmente não foi morto por acaso, mas porque estava a fazer uma obra de paz; ”, disse D. Aurélio Gazzera, ao canal TV2000, da Conferência Episcopal Italiana, citado pela fundação pontifícia.

A AIS explica que na notícia é referida que “homens armados entraram aos tiros” no complexo paroquial da igreja de São João Baptista, em Zémio, num contexto de tensão entre o exército governamental e mercenários russos “do grupo Wagner”, como de lutas étnicas e de competição pela posse de território.

Segundo a AIS, o funeral do pároco de São João Baptista, comunidade em Zémio, “uma região marcada por muita violência” no leste da República Centro-Africana, está previsto realizar-se hoje, dia 1 julho, na catedral em Bangassou, após o sacerdote ter sido transportado de motorizada e de automóvel “por estradas terríveis”, aproximadamente durante 13 horas.

O bispo diocesano, missionário carmelita, explicou que a estrada entre Bangassou e Zémio, com “cerca de 300 km de extensão, leva pelo menos 16 ou 17 horas para percorrê-la”, numa área de violência armada, muito isolada do resto da República Centro Africana e praticamente sem infraestruturas.

“A região de Zémio, assim como Mbomou, Haut-Mbomou e Boki, sofre há mais de 15 anos com a violência perpetrada por grupos armados como o LRA (Exército de Resistência do Senhor, grupo oriundo do Uganda e que se estabeleceu na área), os Séleka (nome dado a várias milícias que surgiram durante a guerra civil de 2012), a UPC (Unité pour la Paix en Centrafrique, um grupo formado em 2014 após uma cisão com os Séleka) e, agora, a milícia Azandé Ani Kpi Gbé (AAKG), que começou como um movimento para proteger a população, mas que acabou por criar mais problemas do que soluções”, explicou D. Aurélio Gazzera, citado pela Agência Fides do Vaticano.

O bispo de Bangassou, parceiro de projetos da Fundação AIS há vários anos, assumiu os destinos da diocese cinco dias antes da morte do padre Crépin Martial Monga, após a renúncia de D. Juan Aguirre, após dois anos como bispo-coadjutor.

A Ajuda à Igreja que Sofre recorda que a situação de violência na República Centro-Africana está “analisada em detalhe” no seu mais recente Relatório sobre a Liberdade Religiosa no Mundo, publicado em outubro de 2025.

“Mais de uma década de conflito civil, alimentado por confrontos entre milícias anti-Balaka e predominantemente muçulmanas do Séléka, fracturou profundamente a confiança entre as comunidades cristã e muçulmana”, lê-se no documento, em jeito de conclusão no que diz respeito à liberdade religiosa, destaca a fundação pontifícia.

CB/OC

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