A jovem viúva Judite, «rica e bela», vai salvar o povo da «ameaça» do «terrível general supremo do exército assírio»
Lisboa, 01 jul 2026 (Ecclesia) – A comissão coordenadora da tradução da Bíblia, da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), lançou hoje o livro de Judite, a “viúva jovem” que representa o povo de Israel, que se apresenta na forma de “uma novela de tempos de guerra”.
“O nome da protagonista significa, literalmente, “a judia”. Judite é uma viúva jovem, rica e bela, que salvará o povo da ameaça do terrível Holofernes, general supremo do exército assírio, diante da inércia e do derrotismo dos chefes de Israel”, explica a comissão coordenadora, em nota enviada à Agência ECCLESIA.
Judite representa o povo de Israel e o seu destino “entrelaça-se com o do povo até formar uma só vida”, na sua “façanha de sedução e engano”, que resulta no homicídio do inimigo, num quadro de rigorosa observância da lei judaica.
A sua condição feminina na época “era sinónimo de inferioridade e fraqueza”, mas Judite coloca-se na esteira de “outras grandes mulheres” do Antigo Testamento (AT), “judias ou pagãs, cuja atitude moral nem sempre é louvável, ainda que efetiva”, como Tamar (Gn 38), Jael (Jz 4), Dalila (Jz 16) e Abigail (1Sm 25).
Segundo os especialistas da comissão coordenadora da nova tradução da Bíblia, a ideia de fundo do livro de Judite está nos discursos de Aquior, chefe de todos os amonitas, e de Judite (5,20s; 11,9-11), que afirmam que “enquanto permanecer fiel a Deus, Israel não corre perigo”, enquanto “aqueles que se revoltam contra Deus e contra o seu povo não ficarão impunes”.
“Judite conclui o seu cântico dizendo: Ai das nações que se levantarem contra a minha gente! (16,17). Com efeito, a arrogância e as blasfémias de Holofernes e Nabucodonosor parecem reclamar o castigo divino que Isaías tinha decretado contra o rei da Assíria, que teve de voltar ao seu país derrotado e sem expugnar Jerusalém. A lógica divina é sublime e, por isso, a salvação não depende da força humana, mas da intervenção do Senhor, que é grande, glorioso, invencível e que esmaga as guerras”, desenvolvem.
Um relato, acrescentam, que “está cheio de contrastes irónicos”, que revelam o paradoxo da intervenção divina na história, como o “pequeno e insignificante” povo de Israel ousa opor-se ao exército enviado por Nabucodonosor, “quando a potente cidade de Ecbátana e seu rei Arfaxad não conseguiram resistir-lhe”, o amonita Aquior, um estrangeiro, é que “profetiza a derrota de Holofernes”, o “exército incontável” que é vencido por um indivíduo, que “não é um soldado, nem um homem, mas uma mulher”, que decapita o seu general supremo.
A Comissão Coordenadora da Tradução da Bíblia da CEP convida a comunidade a envolver-se neste processo de tradução e revisão do livro de Judite, ao colocar online a tradução provisória deste documento, e acolhe “o contributo dos leitores, em ordem ao melhoramento da compreensibilidade do texto”.
A Conferência Episcopal Portuguesa tem disponível para download a tradução provisória deste novo texto bíblico, e de outros textos, na sua página na internet, e informa que as “achegas e comentários” devem ser enviados para o endereço de correio eletrónico [email protected].
Em março de 2019, a Conferência Episcopal Portuguesa apresentou o primeiro volume da nova tradução da Bíblia em português feita por 34 investigadores a partir das línguas originais, com a publicação da edição de ‘Os Quatro Evangelhos e os Salmos’.
Desde agosto de 2021, um novo livro da Bíblia é disponibilizado mensalmente em formato digital e divulgado pela Agência ECCLESIA.
CB/OC

