Diocese apoiou mais de 150 alunos mais desfavorecidos neste ano letivo

Coimbra, 17 abr 2019 (Ecclesia) – O bispo de Coimbra vai lavar os pés a 12 alunos universitários, esta Quinta-Feira Santa, na Missa da Ceia do Senhor, na Sé Nova.

Um gesto simbólico que dá continuidade à decisão de D. Virgílio Antunes de reservar a renúncia quaresmal deste ano da diocese para o apoio ao Fundo Solidário do Instituto Universitário ‘Justiça e Paz’ de Coimbra, que presta apoio a estudantes mais necessitados.

Em entrevista hoje à Agência ECCLESIA, o padre Paulo Simões, coordenador do Serviço Pastoral do Ensino Superior e diretor do Instituto Universitário ‘Justiça e Paz’ de Coimbra, destaca duas iniciativas que mostram “que a diocese está atenta aos novos fenómenos de pobreza”.

“Há contextos para os quais não estávamos habituados a olhar como contextos de pobreza, como por exemplo a universidade, e a realidade é que muitas pessoas para fazerem um curso superior têm muitas dificuldades”, frisa o sacerdote.

Só durante o presente ano letivo, entre setembro de 2018 e abril de 2019, o Fundo Solidário do Instituto Universitário ‘Justiça e Paz’ de Coimbra já prestou apoio a “mais de 150 pessoas”.

Mas a dureza dos números é ainda mais evidente quando olhamos para a estatística desde que este projeto foi criado, em 2010.

De acordo com o padre Paulo Simões, ao longo destes nove anos foram prestados apoios a “mais de 600” estudantes universitários desfavorecidos, envolvendo uma soma total de “cerca de 200 mil euros”.

“A ação social não cobre todas as situações de pobreza e necessidade. Estamos a falar concretamente de situações de fome, de estudantes que ficam sem-abrigo, que se alimentam mal. Estudantes que trabalham para pagar os estudos e depois têm insucesso e depois perdem os apoios sociais (…) A experiência que temos é que o Fundo tem na vida das pessoas um impacto muito positivo”, realça o padre Paulo Simões.

Só este ano foram apoiados na Diocese de Coimbra mais de 150 estudantes universitários mais desfavorecidos

Os alunos em causa são provenientes de vários pontos do país, mas também de outras nações lusófonas, em especial do continente africano.

As necessidades atendidas vão desde “o apoio à refeição” até ao “pagamento de uma renda ou de uma propina”, acrescenta Ana Escada, que integra a equipa coordenadora do Fundo Solidário do Instituto Universitário ‘Justiça e Paz’ de Coimbra.

“Neste momento o Fundo Solidário também já faz apoio a estudantes universitários do terceiro ciclo, ou seja, de doutoramento, mas de outra maneira, através de uma primeira linha de aconselhamento, de informação, e da promoção do estudo”, indica a mesma responsável.

Neste momento, o projeto presta apoio a estudantes universitários do ensino público, mas está também no horizonte conseguir ajudar os alunos do setor privado.

Para Ana Escada, é fundamental continuar a poder responder a estas situações, ajudando a “curar algumas feridas” e permitindo “que as pessoas voltem a ter uma vida equilibrada”.

Nesse sentido, esta responsável classifica o gesto do lava-pés a 12 estudantes universitários, que vai ter lugar esta Quinta-Feira Santa na Sé Nova de Coimbra, a partir das 21h00, como uma iniciativa “muito bonita”, que irá chamar mais a atenção da sociedade para as dificuldades económicas e sociais por que passam hoje muitos estudantes deslocados das suas casas e terras.

Os responsáveis pelo Instituto Universitário ‘Justiça e Paz’ de Coimbra sublinham, no entanto, a preocupação em preservar a identidade dos alunos mais carenciados, para que “não sejam expostos” na sua fragilidade.

JCP

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