Organização espera a cerca de 100 mil visitantes nas iniciativas dos dias que marcam o itinerário até à Páscoa 

Foto: O cónego Avelino Amorim preside à Comissão Oficial da Semana Santa de Braga, Diário do Minho

Braga, 17 abr 2019 (Ecclesia) – As solenidades da Semana Santa na Arquidiocese de Braga são um dos principais ex libris da região, atraindo todos os anos milhares de visitantes e representando um acréscimo significativo para a economia local.

Este ano, de acordo com a comissão responsável pela organização do evento, é esperada a participação de cerca de 100 mil pessoas durante os vários dias de celebração.

“O que vemos já como movimentação e presença de pessoas na cidade leva-nos a dizer que estamos dentro desses números, possivelmente crescendo ainda um pouco mais”, perspetiva o cónego Avelino Amorim, presidente da Comissão Oficial da Semana Santa de Braga.

Um dos principais desafios apontados para este ano foi manter e reforçar a qualidade da programação que tem caraterizado a Semana Santa da Arquidiocese de Braga.

O cónego Avelino Amorim salienta que, apesar de toda a movimentação turística e económica que rodeia estes dias, a Semana Santa de Braga “é uma experiência de fé” e convida todos os visitantes a “deixarem-se envolver” por este espírito, pois se assim for, “de certeza que encontrarão aqui uma experiência que os marcará profundamente”

“O mais habitual é serem sublinhados outros aspetos, mais exteriores ou mais socioculturais ou de promoção turística, mas para nós isso não é de todo o mais importante, acontece como consequência”, realça aquele responsável.

Na edição deste ano, a par de todo o programa religioso que carateriza a Semana Santa, os visitantes, peregrinos e turistas podem aceder a várias propostas culturais, desde exposições, concertos, animações de rua e visitas guiadas a algumas das igrejas mais emblemáticas da arquidiocese minhota.

Esta Quarta-Feira Santa, a partir das 21h30, sai da igreja de S. Victor o cortejo bíblico ‘Vós sereis o meu povo’, mais conhecida como a Procissão de Nossa Senhora da Burrinha.

Esta iniciativa, que é organizada desde 1998 pela Paróquia e pela Junta de Freguesia de S Victor, vai ao encontro de um dos principais objetivos que tem norteado desde sempre a organização desta Semana Santa: transportar as pessoas para o tempo e para os cenários que contam a história da salvação que Deus quis trazer a toda a humanidade.

Em sequência cronológica, e com o apoio de inúmeros figurantes, em grande parte membros das comunidades locais, esta Procissão relata como evoluiu a Aliança de Deus com o seu povo, desde o chamamento de Abraão, no Antigo Testamento, até ao nascimento de Cristo e à fuga de José, de Maria e do Menino para o Egito, montados numa burrinha.

“Procurarmos envolver em todos os aspetos que  o programa nos exige também a nossa comunidade local e sobretudo todas as gerações, desde os mais novos aos mais idosos. E temos sentido uma participação cada vez mais ativa das pessoas, nas celebrações quer também nas procissões e nos quadros figurados”, enaltece o cónego Avelino Amorim.

O sacerdote considera que esta mobilização das gentes da terra é também uma forma de reforçar a fé e a vivência cristã na arquidiocese.

“O respeito, o silêncio e a consideração que têm por este ato devocional faz-nos acreditar nisto mesmo, que as pessoas vivem, se envolvem e sentem como sua também toda a proposta que é feita pela comissão da Semana”, acrescenta.

Na Quinta-feira Santa sai para a rua, a partir da igreja da Misericórdia, pelas 21h30, outro dos grandes destaques religiosos da Semana Santa de Braga: a Procissão do Senhor ‘Ecce Homo’.

Um cortejo que remete para o julgamento de Jesus às mãos dos sumos-sacerdotes e fariseus, mas que destaca também a pedagogia da misericórdia ensinada por Cristo, expressa no grupo de ‘farricocos’ que integra a procissão, composto por pessoas cobertas com vestes austeras, descalças e encapuçadas, de cordas à cintura, a lembrar os antigos penitentes públicos.

Enquanto uns interrompem o silêncio da noite com o som das matracas, outros sulcam a escuridão de luz agitando fogaréus, ou seja, taças com pinhas a arder, num quadro que remete para a ação dos guardas que foram prender Jesus no Jardim das Oliveiras, munidos de archotes.

Na Sexta-Feira Santa, também às 21h30, e com origem na Sé de Braga, tem lugar a Procissão do Enterro do Senhor, a cargo do Cabido da Catedral, das Irmandades da Misericórdia e de Santa Cruz e da Comissão da Semana Santa.

A organização realça este cortejo como “a mais solene e comovente” procissão da Semana Santa de Braga, com toda a carga emocional decorrente da crucificação e morte de Cristo.

O luto, a dor, o silêncio, a austeridade, são imagens de marca desta caminhada.

No plano cultural, uma das apostas da organização passa por dar a conhecer aos visitantes a história da Semana Santa da Arquidiocese de Braga.

Na Casa dos Crivos, está disponível ao público até dia 12 de maio, uma exposição fotográfica com imagens da Semana Santa nas décadas de 1950 e 1960.

Uma iniciativa que conta com a colaboração da Câmara Municipal de Braga e que foi possível também com o apoio do Arquivo Municipal de Lisboa.

O programa contou também com o lançamento da 11.ª edição do Concurso de Fotografia ‘A Semana Santa de Braga’, e a apresentação dos trabalhos vencedores do ano passado.

Para o presidente da Comissão Oficial da Semana Santa de Braga, esta aposta é uma forma de continuar a preservar a história e o legado de toda esta manifestação religiosa que acontece na região do Minho, durante os tempos da Quaresma e da Páscoa.

“É parte de uma diversidade que se procura sempre, não esquecendo o nosso legado histórico mas também valorizando o que os autores contemporâneos hoje também vão produzindo inspirados na Semana Santa de Braga”, aponta o cónego Avelino Amorim.

No campo da música, esta noite, a partir das 21h30, na Sé de Braga, a organização propõe às pessoas um concerto com o Decateto de metais ‘Portuguese Brass’, o Coro de Pequenos Cantores de Esposende e o Coro Ars Vocalis.

Em destaque estará a estreia da peça ‘Salmo’, de Telmo Marques, dedicada à Semana Santa de Braga.

Outra iniciativa musical está guardada para dia 27 de abril, para o ‘Sábado de Pascoela’, às 21h30, na igreja do Seminário de S. Pedro e S. Paulo.

Teresa Salgueiro, antiga vocalista dos Madredeus agora com carreira a solo, vem a Braga interpretar a cantata ‘Memória de Nossa Senhora dos Prazeres’ com Hinos Marianos.

Foto: Semana Santa de Braga

No campo da animação de rua, esta quarta-feira será marcada pela atuação de um grupo de farricocos com matracas e instrumentos de percussão tradicionais.

A interpretação, a cargo do Agrupamento de Escolas Sá de Miranda, acontecerá ao longo do Centro Histórico de Braga.

No dia seguinte, Quinta-feira Santa, também à tarde e no mesmo local, a animação estará a cargo da Santa Casa da Misericórdia de Braga.

A visita aos principais monumentos da região é outra das apostas que caraterizam o cartaz da Semana Santa de Braga.

Nos dias 18 e 19 de abril, com partida sempre às 17h00, junto ao Posto de Turismo de Braga, as pessoas são convidadas a conhecer a Sé Catedral e as igrejas da Misericórdia, Santa Cruz, Terceiros, Penha e Conceição (Monsenhor Airosa).

O Compasso Pascal, ponto culminante de todo o itinerário da Semana Santa, nos dias 21 e 22 de abril, é outra iniciativa destacada pelo presidente da Comissão Oficial da Semana Santa de Braga.

“Aqui na região norte, e sobretudo na nossa arquidiocese, a visita pascal aos lares e às famílias com o percurso dos diferentes Compassos é sem dúvida também um momento muito significativo da vivência da Páscoa. E portanto o convite a todos os que nos visitam é que procurem e vejam também, ao passar pelas ruas, este  momento de alegria e e de testemunho da fé que, no fundo, é também anúncio da Ressurreição de Cristo”, completa o cónego Avelino Amorim.

A Semana Santa de Braga tem uma história de vários séculos e a sua configuração atual continua um modelo que vem pelo menos do século XVI.

Em 2011 foi declarada como um projeto de interesse para o Turismo e dois anos depois foi distinguida com a Medalha Municipal de Mérito – Grau Ouro.

JCP

(atualizada às 12h03)

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