Bispo de Coimbra indica tempo de confinamento como possibilidade para valorizar «Igreja doméstica» mas alerta que «fé não é individualista»

Coimbra, 09 abr 2020 (Ecclesia) – O bispo de Coimbra disse hoje que os sinais do amor de Deus estão no olhar de quem olha para o seu semelhante com caridade.

“A pandemia que aflige a humanidade é a caridade em ato e tem de continuar a concretizar os atos de caridade. Onde quer que nestes dias haja alguém que olha para o seu semelhante com caridade, ai já se encontram os sinais do amor de Deus, ai já está a graça que chegou à humanidade”, afirmou D. Virgílio Antunes, na celebração da Missa vespertina da Ceia do Senhor, na Sé nova, de Coimbra.

Indicou o responsável que este tempo de “jejum celebrativo, eucarístico e social, vivido pelos fieis”, pode ajudar a “valorizar a Igreja doméstica” mas, alertou, a fé cristã “não é individualista” nem pode ser “vivida no foro íntimo”.

“Sem a celebração da Eucaristia perde-se Cristo palavra e Cristo pão; perde-se a presença real, e fica-se com uma ideia bela, um sentimento intimo, uma ética humanista ou linhas orientadoras para a vida”, refletiu.

D. Virgílio Antunes reconheceu que numa altura em que tantos são privados na “participação real da Eucaristia”, são, ao mesmo tempo, “convidados a reforçar o amor por Cristo eucarístico”, que “convoca e reúne para partilhar a alegria do reino já inaugurado”.

“Não temos outro encontro tão marcante com ele e com a humanidade como a Eucaristia”, sublinhou.

Se neste contexto se sente “duramente a forma de não celebrar em assembleia santa”, isso não implica viver de forma “menos profunda”.

“Ao sacrifício de Cristo, juntamos o sacrifico da nossa vida de toda a humanidade, e da Igreja, acrescido pelo facto de não podermos comungar o Senhor, estando unidos a ele em espírito e verdade”, indicou.

LS

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