D. José Pereira anunciou que valor angariado tem dois fins: auxílio às vítimas da tempestade Kristin e apoio aos serviços diocesanos de pastoral

Guarda, 18 fev 2026 (Ecclesia) – O bispo da Guarda convidou à “transformação e conversão das relações”, na mensagem quaresmal 2026 divulgada hoje, na qual anunciou que a diocese vai oferecer parte da renúncia à Cáritas Diocesana de Leiria.
No texto, D. José Pereira recorda o documento final da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, que refere que “para ser uma Igreja sinodal é necessária, portanto, uma verdadeira conversão relacional”, fazendo depois referência a “atitudes reativas” que “o impulso natural e a lógica do mundo” impelem aos seres humanos.
“Por vezes, de forma um pouco mais elaborada, o mesmo sentimento é expresso em afirmações como ‘não pode calhar sempre aos mesmos’ ou ‘enquanto fulano não mudar, eu também não mudo’, ou ‘enquanto não houver um pedido de desculpa, não quero nada com ele’”, escreveu.
O bispo da Guarda alerta que “estas manifestações, presentes no coração do ser humano em todas as épocas, aparecem ainda mais acentuadas neste tempo de polarização e reação extremada, tantas vezes traduzidas no populismo excludente e no reativo cancelamento”.
“Neste contexto, a Quaresma oferece-se-nos como tempo favorável para uma proposta renovadora e libertadora. Ela começa por nos propor uma transformação espiritual da inteligência. Trata-se de uma mudança de olhar que nos abre para uma leitura nova da realidade”, indica.
Segundo D. José Pereira, “a inteligência convertida pelo Espírito Santo, permite ‘intus legere’, ler por dentro das coisas e não apenas pelas reações que elas despertam”, sublinhando que “esta leitura interior não é uma abstração subjetiva”, mas torna seres humanos capazes de “ser conduzidos pelo Espírito Santo mais a fundo para reconhecer a raiz das coisas”.
“De igual modo, o Espírito Santo eleva o nosso olhar para compreendermos que nada, nem o erro, nem o pecado, pode impedir-nos de prosseguir para a meta que nos espera em Cristo Jesus”, defendeu.
“Assim, se nada é suficientemente capaz de impedir esse caminho, então ninguém está impedido de poder percorrê-lo, não importa quantas vezes caia, desista, divirja ou até o impeça”, acrescentou o bispo.
A Quaresma apela consequentemente ao revestimento “do homem novo, à imagem de Deus”, assinala a mensagem, tratando-se de “uma transformação a partir de dentro, de uma configuração capaz de transparecer a imagem de Deus impressa” no íntimo de cada um, “e não apenas de um conjunto de práticas anuais de renúncia ou benevolência”.
“A conversão quaresmal propõe a mudança do modo de ser e amar, e não apenas de ver. Porque ser imagem de Deus é amar como Deus revelou amar em Jesus Cristo, é tornar-se à maneira de Jesus, permanecendo nos seus sentimentos e gestos”, mencionou D. José Pereira.
O bispo da Guarda destaca que importa tomar consciência da “ação concertada entre a natureza humana e a graça divina, suas dinâmicas e ferramentas, oposições e frutos”, por isso, propõe à diocese “um caminho alimentado por um conjunto de sete catequeses quaresmais”, que vai apresentar “nos sete arciprestados ao longo da Quaresma”.
Na mensagem, D. José Pereira aborda a renúncia quaresmal que “procura mesmo reavivar anualmente a consciência de se tomar parte na ação caritativa de Deus em favor do mundo”.
“Além do discipulado missionário, cada um de nós é chamado à partilha de bens e dinheiro, como modo de cultivar esta renovação da vida e das relações ordenando-as para o cuidado dos mais desfavorecidos e da ação pastoral da Igreja”, pode ler-se.
O bispo da Guarda realça que os bens que cada um possui têm, “a par de outras finalidades, a do exercício da penitência enquanto desapego de si e união à entrega de Jesus; a da partilha fraterna com os mais necessitados; a da capacitação da Igreja, que se toca mais imediatamente na comunidade diocesana, para a sua ação pastoral missionária”.
“Quanto à primeira finalidade acima enunciada, a Igreja ensina que ela deve ser cultivada ao longo de todos os dias, e especialmente na Quaresma e nas sextas-feiras de todo o ano. Nas suas diferentes modalidades – o jejum (e a abstinência de carne ou outros bens mais apetecíveis), a oração e a esmola (partilha de bens) – estes gestos penitenciais devem ser vividos como alimento do desapego, da humildade e da contrição”, refere.
Após realizada a consulta prevista, D. José Pereira anuncia que a diocese destinará o resultado da “renúncia quaresmal de 2026 para a Cáritas Diocesana de Leiria (no montante de 50% do valor final apurado), para auxílio às populações afetadas pela recente tempestade Kristin”.
Os restantes 50% serão para apoio aos nossos serviços diocesanos de pastoral (e nomeadamente às obras de recuperação da futura Casa da Juventude Franciscus)”, adiantou.
A diocese é convidada a participar com a entrega de “envelopes próprios”, nas “igrejas paroquiais”, no final da Quaresma.
“Partilho convosco que o resultado apurado da coleta realizada em 2025 foi de
23.866,35 €, já entregue aos respetivos destinatários: Fazenda da Esperança e Caritas Moçambicana”, conclui o bispo.
LJ/OC
