Padre Luís Miguel Figueiredo Rodrigues distingue entre pessoa notável, influenciador e missionário digital
Lisboa, 11 set 2026 (Ecclesia) – O diretor da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa (UCP) afirmou que uma das conclusões da investigação publicada no livro ‘Ecologia Digital’ sublinha que “o conceito de ecologia não pode ser estranho ao ambiente digital”.
“Neste projeto coordenámos esta linha de investigação que nos ajudou a perceber que o modo como estamos no ambiente digital e o modo como estamos nos outros ambientes interagem, são similares. E um e outro fazem-se: o modo como estamos e usamos o digital faz-nos e condiciona o resto da nossa vida”, disse o padre Luís Miguel Figueiredo Rodrigues, hoje, 11 de setembro, em entrevista à Agência ECCLESIA.
O diretor da Faculdade de Teologia da UCP explica que o conceito de ecologia que é desenvolvido no novo livro é como o espaço onde cada um vive, “é muito mais amplo” do que as consequências que as máquinas e os instrumentos têm para a ecologia, e destacou o texto ‘Ecrã-Casa’, da professora Gemma Serrano.
“Por exemplo, podemos pensar a nossa casa com os diversos compartimentos, as paredes fixas, a luz que controlamos, mas quando nos entramos no mundo digital a nossa casa como que se transforma sem que nós fizéssemos nada para isso”, referiu.
Segundo o entrevistado, isso faz com que as imagens, o som, as mensagens, vão “condicionando a forma de ser e de estar no mundo”, porque o mundo digital não é um ambiente estático, nem que se possa desligar”.
“Hoje, mais do que on/off, é on/life”, as pessoas estão inseridas e habitam o ambiente digital com os seus “valores e convicções”.
“O modo como eu vou habitando o mundo digital, sem que eu dê por ela – e aqui temos toda a lógica dos algoritmos – vai instalando em mim desejos, perceções, que eu de forma muito subtil, porque não entendo, vai condicionar depois as minhas opções e as minhas cosmovisões.”
O diretor da Faculdade de Teologia (UCP) considera que não se consegue “contrariar a onda digital”, mas é possível ter “uma atitude mais consciente”, a forma como se quer viver nessa realidade, quem se quer ser, e é preciso desenvolver “alguma literacia mediática, sobretudo, digital”, e lembra que não se existe “sem relação cara-a-cara, sem corpo, sem carne, as relações humanas em sentido lato”.
Para o sacerdote bracarense, um dos coordenadores da obra ‘Ecologia Digital’, é preciso “treinar a dúvida, não acreditar logo”, e perceber o porquê, “perceber as motivações que estão por trás daquilo que é apresentado”, há ideias, conceitos, importantes para os seres humanos “que não têm ambiente propício no digital”
A nova publicação da UCP também aborda a questão da comunicação, e o diretor da Faculdade de Teologia explica que se confunde “muitas vezes com informação”, lembrando que “comunicar é estabelecer relação, transforma a vida”.
Sobre o desafio do mundo digital para a evangelização, que é “contar uma história de amor, é criar uma relação com Deus”, o padre Luís Miguel Figueiredo Rodrigues adianta que “é muito fácil fazer um podcast, um vídeo, disseminar uma mensagem”, mas “evangelizar não é informar, é criar situações propícias para que a pessoa se encontre com o Senhor e alimente essa relação”.
“O digital não me permite a celebração, não me permite estar diante do Senhor, não me permite estar com o outro. Não podemos ficar só no digital para evangelizar, contudo, há muitas ações da grande ação evangelizadora que podem e têm um bom suporte no digital”, acrescentou.
A partir de um dos seus textos, que assina na nova publicação, o diretor da Faculdade de Teologia diferencia o que é um influenciador, uma pessoa notável, e um missionário.
“O que somos como evangelizadores digitais? Somos homens e mulheres que estamos na rede digital com aquilo que nós somos, homens e mulheres apaixonados pelo Senhor, que respeitamos o ser humano, que respeitamos os valores da cidadania, que procuramos viver de uma forma equilibrada e integrada”, desenvolveu o entrevistado.
“Um evangelizador ou um missionário não pode ir pela lógica do algoritmo, e muitos de nós não somos notáveis, somos ilustres desconhecidos.”
PR/CB
‘Ecologia Digital’, publicado pela Universidade Católica Editora, foi coordenado pelo padre Luís Miguel Figueiredo Rodrigues, Alex Villas Boas (UCP), o bispo D. Alexandre Palma (UCP) e Fabiano Incerti (Pontifícia Universidade Católica do Paraná), e resulta da investigação desenvolvida no Centro de Investigação em Teologia e Estudos de Religião (CITER) da Faculdade de Teologia da UCP, integrando a coleção ‘Cuidar da Casa Comum’.
Com prefácio do padre jesuíta Antonio Spadaro, subsecretário do Dicastério para a Cultura e a Educação (Santa Sé), o livro reúne contributos de investigadores das áreas da teologia, filosofia, comunicação, educação e cultura digital. A nova publicação da Universidade Católica Editora é de acesso aberto, o diretor da Faculdade de Teologia salientou que “qualquer pessoa pode ter na íntegra” o livro ‘Ecologia Digital’, e deseja “que faça boa leitura e que seja proveitosa”. |
Publicações: «Ecologia Digital» desafia a pensar a tecnologia para lá da Inteligência Artificial

