Obra resulta da investigação desenvolvida no Centro de Investigação em Teologia e Estudos de Religião (CITER) da UCP
Lisboa, 31 ago 2026 (Ecclesia) – O Centro de Investigação em Teologia e Estudos de Religião (CITER) da Universidade Católica Portuguesa (UCP) lançou a obra “Ecologia digital”, em que convida a pensar a tecnologia para lá da inteligência artificial (IA)
“Num contexto em que a IA, os algoritmos e as plataformas digitais assumem um papel cada vez mais determinante na comunicação, no trabalho e na tomada de decisões, a obra ‘Ecologia Digital’ propõe uma reflexão crítica sobre os desafios éticos, sociais e ambientais da transformação digital e sobre a forma como habitamos este novo ecossistema tecnológico”, refere um comunicado enviado à Agência ECCLESIA.
Coordenado por Luís Miguel Figueiredo Rodrigues (UCP), Alex Villas Boas (UCP), Alexandre Palma (UCP) e Fabiano Incerti (Pontifícia Universidade Católica do Paraná), o livro resulta da investigação desenvolvida no CITER da Faculdade de Teologia UCP, integrando a coleção ‘Cuidar da Casa Comum’.
Uma das ideias centrais da obra é a ligação entre “a crise ambiental e a transformação digital”.
“A crise ambiental, a fragmentação social e os desequilíbrios digitais não são problemas isolados. São manifestações da mesma crise na forma como nos relacionamos connosco, com os outros, com a natureza e com a tecnologia. Cuidar da Casa Comum é aprender a habitar de forma responsável o mundo contemporâneo, das florestas aos ecrãs, dos rios aos algoritmos”, explica Luís Miguel Figueiredo Rodrigues, diretor da Faculdade de Teologia da UCP.
Um ensaio incluído na obra coletiva desafia a Igreja a repensar a evangelização nas redes sociais através de uma presença relacional fundamentada no diálogo e na fraternidade autêntica.
“Se o anúncio do Evangelho é uma questão de presença da Igreja nas ruas do mundo, então sair para as ruas digitais implica um processo de discernimento sobre o estilo da presença eclesial”, sustenta o teólogo Rocco Predoti.
A constante evolução dos algoritmos e a migração das novas gerações para comunidades de conversação fechada impõem metodologias de catequese que ultrapassem a simples partilha massiva de publicações, alerta o autor.
O livro “evita tanto o entusiasmo acrítico como a visão pessimista da inovação tecnológica, refletindo sobre temas como a IA, os algoritmos, as redes sociais, a ética da comunicação, a literacia mediática, a democracia, a educação, as transformações cognitivas e o papel dos mitos tecnológicos na interpretação da realidade”, indica o CITER.
O livro aborda fenómenos como o colonialismo digital, a concentração de poder nas grandes plataformas tecnológicas e os desafios colocados pela recolha massiva de dados, sublinhando que o futuro digital depende das escolhas coletivas, das políticas públicas, da educação e da responsabilidade dos cidadãos.
Com prefácio de Antonio Spadaro, subsecretário do Dicastério para a Cultura e a Educação, “Ecologia Digital” (Universidade Católica Editora) reúne contributos de investigadores das áreas da teologia, filosofia, comunicação, educação e cultura digital, procurando oferecer critérios para uma utilização da tecnologia mais humana, responsável e sustentável.
OC
