Eugénio Fonseca afirma que «sensibilização tem sido difícil» por causa do «muito preconceito que é preciso desfazer»

Fátima, 11 fev 2020 (Ecclesia) – O presidente da Cáritas Portuguesa disse que o projeto ‘Caminhos de Liberdade’, destinado à reinserção de reclusos, em vigor desde 2017, procura oferecer referências de acolhimento para saídas das prisões e ajudar as famílias dos reclusos.

Falando à Agência ECCLESIA, durante o encontro anual dos responsáveis da Pastoral Penitenciária, da Igreja Católica, Eugénio Fonseca contextualizou que a Igreja Católica “está presente há muitas décadas” no acompanhamento pastoral nos estabelecimentos prisionais e a Comissão Episcopal para a Pastoral Social e Mobilidade Humana preparou um conjunto de ações que resultaram no protocolo que “tem três vertentes fundamentais”.

As declarações são emitidas na edição desta quarta-feira do Programa ECCLESIA, na RTP2.

O Projeto “Caminhos de Liberdade” é um protocolo estabelecido entre a Cáritas Portuguesa e a Direção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) que foi assinado a 19 de março de 2017.

Em causa estão “três vias para levar a libertação”, afirmou Eugénio Fonseca, realçando a necessidade de voluntários com “habilitações específicas que sejam interessantes” para uma melhor inclusão social das pessoas reclusas.

O segundo ponto, que “tem sido um constrangimento muito grande para muitas pessoas reclusas”, é a possibilidade de terem saídas precárias, “depois até tem a outra pena, a liberdade condicional” e “a dificuldade é que muitos presos não têm para onde ir”.

Neste contexto, o adiantou que estão a fazer “um levantamento” e, “felizmente”, algumas dioceses identificaram “pontos de acolhimento”, mas também se pensa nas congregações religiosas que “têm amplos edifícios com partes devolutas que poderão acolher e prestar este serviço que é muito, muito importante”.

Segundo Eugénio Fonseca, a terceira vertente fundamental, do Projeto “Caminhos de Liberdade’ é terem postos de venda para os trabalhos que os reclusos realizam em “têxteis, mobiliário, ferro” para além das “lojas dentro dos estabelecimentos prisionais”, que “é um contributo que tem sido difícil”.

O presidente da Cáritas Portuguesa explicou que a vontade da DGRSP, “tem havido abertura extraordinária”, está “num ritmo diferente” do que tem sido a capacidade da Igreja Católica em “acompanhar” face às “limitações” de encontrarem pessoas que se queiram organizar para “ajudar a atingir” as “três vias para levar a libertação” aos reclusos.

“Tem sido difícil de arrancar por causa da sensibilização, que tem sido difícil, relativamente aos cristãos católicos, ainda há muito preconceito que é preciso desfazer. Temos que ter em conta que os dons que temos têm que ser colocados ao serviço destas pessoas”, disse Eugénio Fonseca em declarações aos jornalistas, no Encontro Nacional da Pastoral Penitenciária, realizado nos últimos dias 7 e 8.

‘Prisões e “Janelas com Horizonte” contou também com intervenções do diretor geral de Reinserção e Serviços Prisionais, Rómulo Mateus, sobre o tema central do encontro, de D. Joaquim Mendes, bispo auxiliar de Lisboa e coordenador para área pastoral da Jornada Mundial da Juventude 2022 com apelos à participação de todos no encontro que se vai realizar em Portugal, e do chefe de redação da Agência ECCLESIA, Octávio Carmo, que refletiu sobre a ‘Visão do Papa sobre Prisões e “Janelas com Horizonte”’.

OC/CB

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