Responsáveis da Liga Operária Católica realçam desafios como a crescente robotização e digitalização das empresas e a ameaça das mudanças climáticas

Lisboa, 12 jun 2019 (Ecclesia) – A Liga Operária Católica / Movimento dos Trabalhadores Cristãos (LOC/MTC) diz que é necessária “uma nova forma de entender e organizar” o setor laboral, perante desafios como a robotização e a digitalização.

O alerta é deixado numa moção relacionada com os 100 anos da Organização Internacional do Trabalho, que foi aprovada durante o último congresso nacional da LOC/MTC.

No documento, enviado hoje à Agência ECCLESIA, os trabalhadores cristãos recordam “que foram as condições de trabalho degradantes e sem direitos, exploração, de vida de privações e de miséria das pessoas”, que levaram à criação da OIT em 1919.

“Um compromisso comum a favor da justiça e coesão sociais, que juntou governos, empregadores e sindicatos, instituindo a responsabilidade pela negociação e pelo diálogo social”, realça a LOC/MTC.

Para os trabalhadores cristãos, é essencial prosseguir e fortalecer esse compromisso hoje, num tempo em que desafios como a “melhoria das condições de trabalho”, o “reconhecimento do trabalho com direitos” e a “justa remuneração” continuam na ordem do dia.

Às problemáticas de sempre, aponta a LOC/MTC, juntam-se outras novas, que estão a provocar alterações profundas no mercado de trabalho, como o recurso cada vez maior às “novas tecnologias”, a crescente “robotização e digitalização” das empresas e a ameaça das “mudanças climáticas”, que coloca em causa a subsistência de tantas pessoas e comunidades.

“Para haver um futuro com trabalho digno, é imprescindível um plano de desenvolvimento centrado nas pessoas, com a garantia universal de emprego, de proteção social que inclua todo o tempo de vida, de formação e aprendizagem permanentes e de mais investimento na economia rural, verde e de cuidados”, defende a LOC/MTC.

Na mesma moção, o organismo frisa a necessidade de compatibilizar o trabalho “com a vida familiar e com a qualidade de vida em abundância a que todas as pessoas têm direito”, e de zelar pela “melhor redistribuição da riqueza criada pelo trabalho”, para que todos tenham “oportunidades” iguais de chegar a um nível de vida mais digno.

Para concretizar estes desígnios, a LOC/MTC sublinha o seu “compromisso” de continuar através da sua ação a contribuir para a “construção de um mundo mais justo, equitativo e inclusivo”, em conjunto “com outros atores” sociais e com particular empenho por uma “tecnologia ao serviço do trabalho digno”.

“De forma que seja a pessoa a comandar a tecnologia e não o contrário”, pode ler-se.

Os trabalhadores cristãos salientam ainda que irão continuar a “celebrar e divulgar, a cada ano, a Jornada Mundial pelo Trabalho Digno, no dia 7 de outubro, em união com todos os movimentos do Movimento Mundial dos Trabalhadores Cristãos e de outras forças vivas da sociedade”.

No mesmo congresso nacional, a LOC/MTC aprovou também outra moção onde defende o “direito de todos os povos de viver em justiça e em paz, na igualdade e na dignidade” e apela ao fim da proliferação das armas de destruição em massa.

“Consideramos da maior importância o fim das armas de extermínio em massa, nomeadamente de todas as armas nucleares. Apelamos a que os Estados sigam o exemplo do Estado do Vaticano, que foi o primeiro Estado a subscrever a abolição de todas as armas nucleares”, referem os trabalhadores cristãos.

Que se mostram também preocupados com outras realidades deste âmbito, de ausência de paz, que afetam cada vez mais Portugal, como a “violência doméstica”, o “ assassínio de mulheres”, a “violência no namoro e no trabalho”, a “violência gratuita e a justiça pelas próprias mãos”.

Uma conjuntura “que nos deve preocupar e fazer pensar que podem ser sinais de perda de valores humanos que põem em causa o nosso direito à Paz”, expressa a LOC/MTC, no documento enviado à Agência ECCLESIA.

A Liga Operária Católica/Movimento de Trabalhadores Cristãos nasceu a 10 de junho de 1974, resultante da fusão de dois movimentos laborais, um masculino e outro feminino, e os atuais Estatutos foram aprovados pela Conferência Episcopal Portuguesa, em novembro de 1984.

O movimento nacional é membro do MMTC – Movimento Mundial dos Trabalhadores Cristãos, com sede em Bruxelas, e do MTCE – Movimento Trabalhadores Cristãos Europeus.

JCP

Partilhar:
Share