Padre João Gonçalves destacou necessidade de «recriar a esperança nas pessoas para que se evitem outras situações mais graves»

Foto AE/MC, padre João Gonçalves

Aveiro, 18 mar 2010 (Ecclesia) – O coordenador da Pastoral Penitenciária, da Igreja Católica em Portugal, afirmou a disponibilidade da Igreja Católica, mesmo “proibidas todas as visitas”, para acompanhar qualquer recluso que “precise de falar”.

“Estamos disponíveis para qualquer chamada, qualquer tipo de urgência e vamos sem receio conversar, dialogar e recriar a esperança nas pessoas para que se evitem outras situações mais graves”, disse o padre João Gonçalves.

Em declarações à Agência ECCLESIA, o responsável católico realçou que a Igreja Católica responderá sempre a “qualquer caso” através de um assistente espiritual e religioso.

No contexto das medidas para conter a propagação do coronavírus Covid-19, o sacerdote aveirense admitiu uma mágoa muito particular” porque este problema do contágio “ainda os torna mais sofredores e isolados, distantes em relação à sociedade”.

“Queremos ajudar o mais possível”, frisa o coordenador nacional da Pastoral Penitenciária, referindo que enviaram uma mensagem a todos os assistentes, colaboradores, voluntários prisionais e simpatizantes para que “estejam abertas ao espírito de colaboração, de presença, para que nenhum recluso sinta que estão “fora, longe, com medo”.

Para além da proibição das visitas aos estabelecimentos prisionais, a celebração comunitária da Missas está suspensa, por determinação da Conferência Episcopal Portuguesa, e o padre João Gonçalves assinala que em muitas cadeias “os presos habitualmente assistem à Missa na televisão”.

O entrevistado adianta que nos últimos dias o telefone “tem tocado de uma maneira extraordinária” e as pessoas têm “perguntas, sugestões, opiniões”, procurando responder com “o apoio humano, espiritual de que as pessoas têm necessidade”.

Neste contexto, o padre João Gonçalves revela que tem “repetido muitas vezes” uma palavra de Santa Paula Frassinetti, a fundadora das Irmãs Doroteias: “Estamos nas mãos de Deus e estamos muito bem”.

Um cristão que possa dizer isto e convencer-se disto é fantástico. Estamos com segurança e estamos nas mãos de Deus, mas não passivos: trabalhamos, lutamos, temos por trás toda a esperança, toda a confiança, Deus conduz a história hoje como conduziu a história de ontem, como conduz a história do futuro. Deus conduz-nos”.

Pelas manifestações de solidariedade que tem assistido, públicas e privadas, como por exemplo da Arquidiocese de Braga – que disponibilizou um hotel para os profissionais da saúde – o sacerdote considera que “o mundo vai virar” e as pessoas vão pensar que “afinal, o poder do dinheiro não é tudo”.

Em Portugal, há 4030 casos suspeitos e 448 confirmados de infeção do novo coronavírus, informou a Direção-Geral da Saúde.

CB/OC

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