Frei Agostinho Marques de Castro foi eleito no capítulo que está a decorrer em Fátima

Fátima, 01 jul 2020 (Ecclesia) – O novo comissário geral (provincial) da Ordem do Carmo em Portugal disse hoje que o “primeiro grande desafio” é que o carisma Carmelita “seja significativo para a Igreja de hoje e para a sociedade”, em seis prioridades até 2023.

“As pessoas precisam de um grande centro de espiritualidade, mas espiritualidade comprometida, como da vida, depois essa experiência de comunidade, de fraternidade, de acolhimento, e de hospitalidade que tanto se fala hoje”, desenvolveu frei Agostinho Marques de Castro, em declarações à Agência ECCLESIA.

O religioso foi eleito esta terça-feira no capítulo que está a decorrer na Casa de São Nuno, em Fátima, e explicou que o carisma da Ordem é “ser contemplativo vivendo em fraternidade no serviço no meio do povo”.

A “dimensão profética” é outro assunto e o entrevistado recorda que um dos inspiradores da ordem religiosa “é o profeta Elias, do Antigo Testamento” que sabia “denunciar o que estava mal quando tinha de ser” e avançou com as suas causas, “confiando na voz de Deus, com coragem e frontalidade”.

Esta crise social que já vivemos também nos está a chamar a ser profetas: Um mundo de esperança, uma palavra correta mas também de denúncia e defesa dos mais desfavorecidos”.

O desafio vocacional, “acolher aqueles que Deus chama e continua a chamar”, mas precisam da “mediação” destes Carmelitas, é outra prioridade para poder “desenvolver esta resposta que muitos querem dar”.

A “internacionalidade” da Ordem do Carmo que está “em vários países e realidades” é outro tema e o Comissariado Geral em Portugal tem um projeto para “receber pessoas para formação” e partilharem na Europa “a sua própria dimensão missionária”, para além de “apoiar mesmo monetariamente, apoiar com a oração missões que estão a crescer”.

“A internacionalidade é uma experiência muito interessante enquanto ordem religiosa. Já tive oportunidade de estar noutras comunidades estrangeiras e dá uma grande riqueza que se partilha”, recordou.

Para os próximos três (2020/2023), segundo Frei Agostinho Marques de Castro, “também é um grande desafio cuidar dos mais idosos, cuidar da fragilidade”; a Ordem do Carmo em Portugal tem 22 religiosos, em várias casas, com “uma média de idade de 78 anos” e um grupo, “relativamente novo, na faixa dos 45 anos”.

O novo provincial da Ordem do Carmo adiantou também que “evangelizar através da Família Carmelita” é outro desafio, trabalhar com os leigos, confrarias, ordens terceiras, pessoas que “usam o escapulário da Ordem do Carmo que pode ser uma fonte de evangelização muito boa”, para além dos Carmelitas Descalços com quem procuram “trabalhar bastante em conjunto”.

Frei Agostinho Marques de Castro que “oficialmente ainda” é pároco de Frielas e Santo António dos Cavaleiros, no Patriarcado de Lisboa, afirmou que esta experiência, “sobretudo em paróquia de periferia, com uma multiplicidade de proveniências religiosas menos cristãs”, dá uma visão “mais completa da própria realidade da Igreja, mesmo da Igreja em Portugal”.

“Esta experiência de quem nasceu no Minho, esteve em Fátima, em sítios com alguma tradição religiosa, além da própria vivência social da fé, é uma realidade diferente. Fica com outra visão daquilo que a Igreja pode ser e que resposta pode dar no mundo de hoje, às pessoas que precisam de referências, de quem responda às suas perguntas e não lhes aponte respostas pré-feitas”, desenvolveu.

O religioso que já tinha sido o responsável nacional de 2008 a 2014, em dois mandatos de três anos, destacou o “voto de confiança” dos frades na eleição realizada esta terça-feira, na Casa de São Nuno, em Fátima.

Na reunião, que termina esta quinta-feira, foi eleito também um conselho “mais próximo” do novo comissário geral constituído por quatro religiosos: frei Ricardo dos Reis Rainho, frei António Monteiro, frei Pedro José Martins Monteiro e frei Fernando Manuel Afonso Araújo.

CB/OC

Vida Consagrada: Ordem do Carmo em Portugal tem novo provincial

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