«Olhamos para a pessoa como um todo, não vendo só o problema físico ou psíquico» – Irmã Sílvia Moreira

Sintra, 09 mai 2019 (Ecclesia) – A superiora das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus disse hoje que a hospitalidade “vai sendo recriada” na medida em que se adaptam “às exigências dos tempos, às necessidades”, na comemoração dos 125 anos da congregação em Portugal.

“Sobretudo, a importância de fazer o bem, bem-feito, e fazer o melhor que podemos dentro das nossas capacidades e também segundo a necessidade de quem se nos apresenta. Olhando para a pessoa como um todo, não vendo só o problema físico ou psíquico mas todo o problema de contexto de integração social”, referiu a irmã Sílvia Moreira, à margem das comemorações na Casa de Saúde da Idanha, em Belas (Sintra).

Em declarações à Agência ECCLESIA, a religiosa explicou que a prioridade é o cuidado dos utentes, “sempre” nas três dimensões da prevenção primária: “Sensibilização, para desmistificação da saúde mental”, de modo que a pessoa que possa a vir ter essa doença não se iniba de pedir ajuda.

Depois, acrescentou, existe a prevenção secundária, “na área do tratamento”, e a prevenção terciária “na área da reabilitação e reintegração” no contexto de onde é proveniente a pessoa, “dentro das suas possibilidades”.

As comemorações começaram com uma Eucaristia, presidida por D. Américo Aguiar, bispo auxiliar de Lisboa, o qual destacou que o carisma Hospitaleiro é “presença deste amor de Deus gratuito aos outros, aos últimos”.

“Quando visitamos estas casas, estas obras, provamos, comprovamos aquilo que é o serviço sempre atual, sempre inovador que tem no centro a preocupação pela dignidade humana”, acrescentou, em declarações à Agência ECCLESIA, afirmando que “as pessoas se sentem verdadeiramente amadas, naquilo que significa um momento de doença, de fragilidade”.

Segundo D. Américo Aguiar, é preciso “gritar bem alto a toda a sociedade” que ninguém é descartável, “as pessoas não valem enquanto são ativas, enquanto rendem dinheiro” porque exercem uma profissão, têm um ordenado, “porque podem ter algum retorno económico-financeiro para a sociedade onde estão incluídas”.

Mural em Belas

As Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus prestam cuidados de saúde em particular nas áreas da Psiquiatria e Saúde Mental; ao longo dos anos foram, cada vez, contemplando áreas como a reabilitação psicossocial, a psicogeriatria e gerontopsiquiatria, a toxicodependência e os cuidados paliativos, em 12 centros assistenciais, no continente e nos arquipélagos da Madeira e dos Açores, apoiadas por dois mil colaboradores.

A superiora provincial salienta que, cada vez mais, a sociedade vai estando aberta às pessoas que precisam de ajuda nas suas áreas de atuação.

“O facto de estarem mais abertas não as inibe de trabalhar connosco e para nós é uma mais-valia, na medida em que é uma mais-valia para os doentes”, realçou.

A enfermeira Alda Sousa Ramos conta que, desde há quase 20 anos, esta tem sido uma experiência “muito enriquecedora, a nível profissional e pessoal”, embora a saúde mental não fosse a primeira opção.

“Tenho acompanhado a evolução das estruturas, a evolução dos cuidados prestados e a presença das irmãs é fundamental. Têm o carisma da hospitalidade e transmitem-no, é importante para os utentes e também para os colaboradores”, acrescentou a supervisora de enfermagem, que trabalha na Casa de Saúde da Idanha desde 1999.

A enfermeira Alda Sousa Ramos realça que o modelo de cuidados Hospitaleiro “privilegia a pessoa como ser integral”, não se focando apenas na doença, mas em “todas as suas potencialidades”.

A congregação “não está parada no tempo” porque vai evoluindo, “e vai tendo sempre a oferta dos melhores cuidados associados às novas técnicas”.

As religiosas têm vários desafios pela frente, como a sustentabilidade económica, que é “uma área problemática, não se vive sem dinheiro” e os apoios do Estado são “insuficientes”, e as vocações, “a renovação da nova geração”.

“Vamos passando este carisma aos nossos colaboradores e neste momento são uma força muito grande para continuarmos a manter a nossa obra com as características que ela tem; também nos aproximamos mais da paróquia que era coisa que não fazíamos, não tínhamos tanto trabalho na paróquia”, explicou a irmã Sílvia Moreira, salientando que incidem também “no discernimento e acompanhamento” que “pode levar os jovens a pôr a possibilidade, um questionamento”.

As Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus vão assinalar os 125 anos de presença em Portugal ao longo de um ano e hoje também inauguraram o seu museu na Casa de Saúde da Idanha, antes de uma sessão cultural.

A congregação religiosa, que está em 27 países de quatro continentes, foi fundada a 31 de maio de 1881, em Ciempozuelos – Espanha, por S. Bento Menni; acompanhado por Maria Josefa Récio e Maria Angustias Giménez, e chegou a Portugal em 1894, onde abriu o primeiro centro assistencial em Belas – Sintra.

CB/OC

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