Edição de 2020 distinguiu reportagem dedicada ao adeus dos monges da Cartuxa

Foto: Agência ECCLESIA/MC

Fátima, 25 set 2020 (Ecclesia) – A Igreja Católica em Portugal atribuiu hoje o Prémio de Jornalismo Dom Manuel Falcão à reportagem sobre o ‘adeus dos monges da Cartuxa’, do jornal do Expresso.

O presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais destacou o “excelente trabalho” escolhido pelo júri, que “interliga o que é um comunicador, o que é uma peça jornalista, perante um espaço que é tão querido como a Cartuxa”.

“Com tudo o que a Cartuxa nos pode revelar, a partir da espiritualidade, do silêncio, do que foi uma história que teve agora uma pausa, que vai continuar com uma nova comunidade”, acrescentou D. João Lavrador, bispo de Angra.

Na cerimónia de entrega do Prémio de Jornalismo Dom Manuel Falcão que se realizou esta manhã, no final das Jornadas Nacionais de Comunicações Social 2020, o presidente do organismo da Igreja Católica em Portugal salientou ainda que “é um encanto muito grande” poder contar com estes contributos e, sobretudo, “em áreas tão específicas do que é a cultura íntima e profunda da espiritualidade de um povo como é o povo português que se vê também nestes espaços”.

O trabalho que abordou a saída dos monges Cartuxos de Portugal, em outubro de 2019, tem texto de Christiana Martins, fotografia de António Pedro Ferreira e vídeo e edição de José Cedovim Pinto.

“Hoje o mais importante é agradecer que nos dediquem tempo a ler, num mundo cada vez mais rápido, mais volátil em que parar para ler é raro, em que parar para ler um trabalho sobre o silêncio é ainda mais raro”, disse a jornalista do jornal ‘Expresso’, que agradeceu também a distinção.

Christiana Martins assinalou a necessidade de contar histórias de pessoas, que foi destacada ao longo das jornadas de formação e debate, e esse trabalho sobre os monges da Cartuxa “tem o mérito de tentar dar rosto a um silêncio admirável” que Portugal intuía mas que “não tinha noção do que ia perder e era preciso dizer quem eram aquelas pessoas, que características tinham”.

A jornalista – que agradeceu também à equipa que permitiu que o trabalho fosse realizado, uma vez que “por ser mulher não conseguia entrar no mosteiro” de clausura -, assinalou que a proposta inicial da reportagem “foi sempre contar os bastidores, o dia-a-dia”, num trabalho que “tentou dar voz aos ausentes”, numa comunicação social “marcada pelas mesmas presenças”, tentando “dar voz a um silêncio lateral”.

O Prémio de Jornalismo Dom Manuel Falcão foi também atribuído a título honorífico aos jornais centenários Notícias da Covilhã e Jornal da Beira.

D. João Lavrador salientou que o nascimento das publicações se situa numa “época difícil ligada à República, ligada à grande guerra”, com tudo o que foi o contexto social, politico, económico e “também de inquietação eclesial”.

“Tem o seu lugar, tem o seu objetivo, continua a ter a sua missão e, por isso, este prémio significa o apreço que sentimos pela Imprensa de Inspiração Cristã, e também pela imprensa regional”, disse o presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais, destacando que existe “a vontade firme de não deixar cair os braços e levar para a frente uma realidade que é fundamental” e a visibilidade que dá “ao interior, à diáspora, e também ao encontro daqueles que vêm de outras paragens”.

O diretor do jornal semanário ‘Notícias da Covilhã’, lembrou a caminho dos 102 anos de história que antes existiu o jornal ‘Democracia’, em 1911, e regressaram “em 1918 com este título, sempre de inspiração cristã, sempre dirigido por sacerdotes da Diocese da Guarda”, e é “o mais antigo do Distrito de Castelo Branco”.

“Somos voz de proximidade, o grande destaque desta semana passa pelos novos guardadores de rebanhos, gente que vem investir no interior, é este o sentido do nosso trabalho e tem sido isso que tem acontecido com uma redação reduzida, dois jornalistas (o João e a Ana), e apesar das dificuldades fica o desafio e voto que haja sempre olhar carinhoso para a imprensa regional e de preocupação”, desenvolveu o padre Luís Miguel Pardal Freire, realçando que “a memória é bem essencial que é necessário valorizar”.

Foto: Agência ECCLESIA/MC

O diretor do ‘Jornal da Beira’, da Diocese de Viseu, explicou que estão a celebrar “o centenário de quando nasceu”, a 9 de janeiro de 1921 e lembrou que também existiu uma publicação anterior.

“O ‘Jornal da Beira’ procurará com esta responsabilidade centenária continuar a ser voz da diocese, da região de Viseu, a ser uma presença junto de quem nos estima, de quem nos procura”, afirmou o padre Nuno Azevedo, destacando o interesse dos leitores, por exemplo, nas notícias que estão a publicar de 1922.

Prémio de Jornalismo Dom Manuel Falcão é uma iniciativa da Igreja Católica em Portugal, através do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais em parceria com o Grupo Renascença Multimédia, e distingue, em cada ano, um trabalho jornalístico de temática religiosa, e foi atribuído nas jornadas nacionais de formação e debate 2020, este ano num formato inédito, através das nas plataformas digitais, com o tema ‘Mais do que ligados’.

CB/OC

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