Padre Ivan Petliak explica que a «igreja está cheia» de ucranianos, moldavos, russos para celebrar o Natal

Setúbal, 04 jan 2020 (Ecclesia) –As comunidades greco-católica e ortodoxa, de tradição bizantina, vão celebrar a partir da noite de segunda-feira o nascimento de Jesus Cristo, segundo o calendário juliano.

O padre Ivan Petliak, natural da Ucrânia e ao serviço na Diocese de Setúbal, explica que os fiéis de Rito Bizantino têm uma “preparação espiritual e física” para o Natal.

“É importante para nós não perder as tradições e identidade ucranianas, longe da nossa terra. É também importante para construir as nossas famílias, transmitir a fé”, disse o sacerdote ucraniano à Agência ECCLESIA.

O calendário solar juliano foi criado em 45 a.C. pelo imperador romano Júlio César e difere do calendário gregoriano, utilizado no Ocidente.

O padre Ivan Petliak assinala que têm “novos fiéis”, pessoas que continuam “a procurar uma vida melhor” em Portugal porque na Ucrânia “a guerra continua e a situação não é boa”, e, como crentes, celebram “a graça de Deus na vida”.

O sacerdote admite que os mais jovens, “às vezes, ficam longe” da Igreja, “só precisam de batizar os filhos e ir no Natal e na Páscoa”, ao contrário das gerações mais velhas.

O responsável acompanha a comunidade de migrantes ucranianos greco-católicos na Diocese de Setúbal e contextualiza que, como preparação para as celebrações do nascimento de Jesus, há um “jejum natalício” e uma “preparação espiritual e física”, com especial destaque ao sacramento da Confissão, “para receber a Comunhão”.

Na diocese sadina, o presbítero que acompanha os imigrantes católicos ucranianos vai presidir às celebrações natalícias com as suas duas comunidades: no Montijo, a 6 de janeiro, às 22h30, na igreja de São José (ao lado do hospital); e em Setúbal, às 19h00 do dia seguinte, na igreja dos Grilos, de Nossa Senhora da Boa Hora.

“A igreja está cheia no Natal, como na Páscoa, duas festas em que temos zelo em ir à igreja”, acrescentou o padre Ivan Petliak, contabilizando “mais de 100 pessoas” de diferentes nacionalidades, como moldavos e russos, para além de ucranianos.

A Missa no dia 7 de janeiro conta com oração de vésperas e “vários cânticos de Natal”, destaca o entrevistado, referindo que no Rito Bizantino cantam “muito neste tempo e todos, especialmente, as crianças esperam muito” das celebrações.

“As nossas crianças preparam uma encenação da história do Nascimento de Jesus, com os pastores, os reis, a virgem Maria e São José, Herodes, para mostrar essa história. No nosso país fazemos na igreja e depois vão mostrar nas casas”, adianta.

No jantar da véspera de Natal, “com os familiares e amigos que estão sozinhos”, começam “a cantar no meio das famílias”.

“A grande diferença são estes cânticos de Natal, cheios de alegria, muito especiais”, realçou o sacerdote, referindo que também preparam a árvore de Natal”, como fizeram no Montijo.

O padre Ivan Petliak explica que na Ucrânia se “celebram três dias de festa”, de 7 a 9 de janeiro, que comemoram também a Sagrada Família e Santo Estêvão, primeiro mártir cristão.

Existem comunidades ucranianas noutras dioceses portuguesas como Aveiro, Algarve, Leiria-Fátima, Évora, Lisboa, Porto.

Segundo o rito bizantino, 6 de janeiro é o último dia de jejum e a consoada é festejada com 12 pratos diferentes – número que encontra significado nos 12 apóstolos e nas 12 tribos de Israel -, preparados sem recurso a gorduras animais ou carnes.

O prato principal é o “kutia”, doce à base de trigo cozido com mel e sementes de papoila moída, ingredientes usados na doçaria oriental e que também têm um significado especial.

Depois entoam-se canções natalícias, de casa em casa, dando glória ao Deus-Menino e os visitados retribuem com ofertas em dinheiro ou doces, uma tradição que termina a 20 de janeiro.

CB/OC

Um Natal, duas datas

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