Marco de Canaveses, 27 jul 2021 (Ecclesia) – As Edições Carmelo, da Ordem dos Padres Carmelitas Descalços, vão publicar o livro ‘Noite Escura’, uma das principais obras de São João da Cruz, para ajudar “nestes tempos escuros de pandemia que a humanidade atravessa”.

“Esta obra pode ser muito iluminadora para a compreensão do papel da noite escura no itinerário espiritual dos crentes e da ação decisiva de Deus durante este período da noite, dando assim sentido profundo a um tempo aparentemente inútil para a vida espiritual”, explicam os religiosos, numa nota enviada à Agência ECCLESIA.

Federico Ruiz, apresentado como o maior especialista em São João da Cruz, religioso carmelita espanhol nascido em 1542 e falecido em 1591, explica que o símbolo da noite diz “algo, ou tudo, sobre o caminho espiritual” e o livro ‘Noite escura’ do santo espanhol converteu-se na “obra clássica sobre o tema”, começou a fazer parte da cultura espiritual.

“Breve e inacabada como está, transmite tal força doutrinal e literária, que se tornou insubstituível. João da Cruz teve a experiência e analisou-a, revelando o seu sentido e a sua estrutura. É uma obra que contém algo de enigmático e atraente. Os crentes acolhem-na com emoção, porque, sendo uma obra fundamentalmente mística, sentem uma rara afinidade espiritual com a experiência nela relatada, desenvolve na introdução.

Segundo o especialista, a obra de S. João da Cruz apresenta os “elementos essenciais” da experiência noturna, que pode adquirir várias formas de realização, “consoante a intensidade, o ritmo, a duração, e cita: «Pois não acontece em todos da mesma maneira nem têm todos as mesmas tentações».

Federico Ruiz explica que “noite escura não é a mesma coisa que crise ou sofrimento agudo”, existe noite escura são joanina na medida em que se produz, nos crentes, “uma resposta de fé, amor e esperança, pelo menos na comunidade como tal”.

“Se faltar este elemento, não podemos dizer que é uma noite escura, conforme à denominação de João da Cruz, nem podemos esperar dela os frutos que essa experiência, quando vivida teologalmente, oferece”, acrescenta.

A noite, explica, é a participação vigilante nas “provas do Senhor”, na experiência única e pessoal da sua “noite redentora, e nas noites de todos e de cada um dos homens”.

Existe também a “noite coletiva”, que designa a “dolorosa experiência” de transformação radical que experimentam certos grupos, a Igreja, a cultura, e que, segundo o especialista, apresenta os “mesmos sintomas” que o santo espanhol assinalou para a “noite pessoal”.

“A obscuridade de não saber quem é Deus, onde encontrá-lo, como governa a história; a aridez ou falta de vontade e perda de entusiasmo coletivo; o vazio e privação de conquistas anteriores, ao que se acrescenta a incerteza do futuro; como consequência, o tormento e a consciência aguda de crise”, acrescentou Federico Ruiz, divulgam as Edições Carmelo.

Doutor da Igreja e grande místico do século XVI, a Igreja Católica evoca a memória de São João da Cruz, fundador da Ordem dos Padres Carmelitas Descalços com Santa Teresa de Jesus, a 14 de dezembro.

CB

 

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