Igreja Católica mobiliza-se para encerrar 12 meses centrados no tema da Missão

Lisboa, 30 set 2019 (Ecclesia) – A Igreja Católica em Portugal está a dinamizar desde outubro de 2018 diversas iniciativas pelo Ano Missionário especial, que se encerra com uma peregrinação nacional a Fátima e a inauguração de um monumento, em Cernache do Bonjardim, no dia 20 de outubro.

“Este ano missionário foi bastante específico, desejamos que o ano 2020 seja também um ano missionário, que isto não se esgote apenas neste tempo que está quase a terminar”, disse o presidente dos Institutos Missionários Ad Gentes (IMAG).

Em declarações à Agência ECCLESIA, o padre Adelino Ascenso considera que “nunca” se consegue “cumprir” o que se “deseja e programa” porque “um dos grandes problemas” que podem surgir na atividade missionária “é esgotar as energias na teorização, depois passar à prática é mais difícil”.

“Devemos avaliar não tanto aquilo que fizemos mas principalmente aquilo que deixamos por fazer, que talvez seja o mais importante, e teremos deixado muito por fazer. A nossa avaliação terá que se concentrar ai para que possamos melhorar”, desenvolveu.

A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) começou a promover um Ano Missionário especial em todas as dioceses católicas do país, em outubro de 2018, depois do Papa Francisco ter convocado um “mês missionário extraordinário” para outubro de 2019, por ocasião do centenário da Carta Apostólica Maximum Illud, de Bento XV.

“Causou alguma preocupação no início, as dioceses já tinham os programas elaborados, mas ainda bem que a missão está subjacente a tudo isso, em todos os programas, em todas as iniciativas diocesanas”, disse o secretário e porta-voz da CEP.

Neste contexto, acrescentou que são “anos pastoralmente pedagógicos” para dizer “aquilo que é da essência da Igreja”.

O padre Manuel Barbosa assinalou que o Papa Francisco quis “celebrar” a carta apostólica de Bento XV “para recuperar o sentido de missão” e quando lançou o mês extraordinário referiu “quatro objetivos” que a nota pastoral dos bispos portugueses – ‘Todos, Tudo e Sempre em Missão’ – “também denota, o encontro com Jesus Cristo, a formação, os testemunhos” e a “caridade”.

A leiga Catarina António, da Fundação Fé e Cooperação, considera que se “fez um grande caminho mas ainda ficou muito por fazer” durante este ano especial e exemplifica que há jovens nos movimentos a contar que nas suas paróquias “pouco ou nada se falou de missão, de saída”, mas também existem “bons exemplos, dioceses com um caminho muito bonito”, com centros missionários diocesanos a funcionar.

“Começamos a ver mais leigos envolvidos, o Papa Francisco veio dar esta nova força aos leigos”, acrescentou, dando como exemplo o Centro Missionário de Braga que tem uma leiga como responsável e a sua “pequenina” paróquia onde os jovens “criaram grupos” destinados à missão.

O presidente dos IMAG contextualiza que ter centros missionários diocesanos é um “propósito que já existia, principalmente desde 2010” e “é fundamental” uma vez que “poderão irradiar o estímulo e testemunho que se espalha às outras pessoas” e realçou que “o diálogo inter-religioso no contexto da missão” também foi “pouco falado” este ano mas “é fundamental”.

Deste Ano Missionário especial, o padre Manuel Barbosa destacou a peregrinação nacional de encerramento, ao Santuário de Fátima, no próximo Dia Mundial das Missões, a 20 de outubro, e nessa tarde “uma homenagem à missionação portuguesa, para olhar o presente e o futuro, na figura do grande bispo e missionário D. António Barroso” (1854-1918), em Cernache de Bonjardim, num monumento onde vão também ficar inscritos os nomes dos 320 padres que foram para as missões.

PR/CB/OC

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