Organismo laical publica nota a partir do «Pacto Global» lançado pelo Papa Francisco

Foto: Lusa

Lisboa, 20 out 2020 (Ecclesia) – A Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP), da Igreja Católica, sustentou que “não pode haver” amizade social e esperança no futuro “sem uma atenção profunda à educação”, um direito que permanece ao longo da vida de cada pessoa.

Numa nota enviada hoje à Agência ECCLESIA, a CNJP constata que, na proposta de Orçamento do Estado para 2021, a Educação “ganha cerca de 500 milhões de euros”, mas “a maior parte deste reforço está destinada à ‘universalização da escola digital’ e questiona quem são os destinatários desse esforços.

A Comissão Nacional Justiça e Paz assinala que, em Portugal, a pandemia Covid-19 “afastou muitas crianças das escolas”, apesar de “importantes medidas” para garantir a todas “uma educação à distância” de qualidade.

O organismo laical da Igreja Católica em Portugal destaca que o “lado positivo” das medidas de urgência e a “correspondente adesão e profissionalismo” dos professores “provocou nas famílias um salutar respeito pelo trabalho dos docentes”.

“No entanto, preocupam-nos as crianças que ficaram ‘de fora’ durante os primeiros seis meses da pandemia porque não tinham acesso aos meios tecnológicos e informáticos necessários”, acrescenta o texto, questionando se há dados estatísticos sobre essas crianças que ficaram ‘de fora’ e se “preocuparam os exames (12.º ano) e o acesso à universidade”.

A CNJP sublinha que o Ensino Superior e a Ciência têm um reforço de 435 milhões de euros, mas lamenta a ausência de apoio para a “educação básica dos adultos com reduzida literacia”.

O novo documento reflete sobre a ‘Educação de Francisco’, a partir do ‘Pacto Global para a Educação’ lançado pelo Papa, no dia 15 de outubro, pelos meios digitais a partir do Vaticano.

Francisco propõe sete compromissos por um mundo diferente, na promoção do diálogo ente culturas, da paz e da ecologia integral, no pacto que conta com o apoio da UNESCO e várias instituições académicas, e alertou para a “catástrofe educativa” provocada pela pandemia Covid-19 que afastou milhões de crianças das escolas, mais de 250 milhões de crianças, em idade escolar, excluídas de “toda e qualquer atividade formativa”, e fez aumentar as desigualdades.

“Como escutamos a voz das crianças e dos jovens? Eles têm direito a ter voz nas decisões que lhes dizem respeito. Este o sentido de uma verdadeira ‘educação para a cidadania’ responsável, para a qual a escola tem um papel determinante… muitas vezes para lá do desinvestimento de um número significativo de famílias nesta matéria”, questiona a CNJP.

Para o organismo católico, o ‘Pacto Global para a Educação’ do Papa é um “desafio corajoso” que procura “ampliar (ou especificar)” algum do pensamento na recente encíclica ‘Fratelli Tutti’ e assinala que para Francisco “abrange a educação básica, secundária, profissional e superior, a educação não formal e informal e a investigação”.

“Lança-nos um convite a que juntemos esforços, energias e vontades por uma educação para todos, não descartando ninguém – governos, a sociedade civil e suas organizações de professores, de pais, grupos e iniciativas ligadas aos direitos das crianças, Igrejas, centros de investigação em educação e em políticas sociais, etc. – no sentido de priorizar um sector que é decisivo para a humanização da sociedade e para garantir oportunidades para todos com especial incidência nos mais frágeis, incluindo crianças, jovens, adultos e, claro, os mais velhos”, desenvolve nota publicada pela CNJP.

CB/OC

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