«Bem-aventurados os que lutam contra as chamas», disse D. Rui Valério, na Missa de corpo presente

Foto: Lusa

Lisboa, 17 jul 2022 (Ecclesia) – O bispo das Forças Armadas e de Segurança presidiu hoje ao funeral do comandante André Serra, elogiando o exemplo de dedicação aos outros do piloto que morreu em missão de combate a incêndios florestais, na última sexta-feira.

“Bem-aventurados os que lutam contra as chamas: os pilotos, os bombeiros, os militares, as forças de segurança, a proteção civil, a guarda-florestal e tantas mulheres e homens de boa vontade… constituem uma reserva dos valores, da ética e da dignidade do país que nenhuma chama devora”, disse D. Rui Valério, na homilia da Missa celebrada na igreja da Força Aérea, em Lisboa.

A aeronave despenhou-se na Quinta do Crasto, município de Vila Nova de Foz Côa, por razões ainda desconhecidas, durante o combate a um incêndio no teatro de operações de Torre de Moncorvo, Bragança, tendo provocado a morte do seu único ocupante.

“Caro André, deste a tua vida para salvar da morte populações sofridas e povoações em risco de desaparecerem, de resgatar das cinzas as suas razões de viver”, sublinhou o bispo das Forças Armadas e de Segurança.

O responsável pelo Ordinariato Castrense, da Igreja Católica, sublinhou a “grandeza de colocar os outros como objetivo maior dos seus próprios propósitos e interesses, de situar, como horizonte de existência, o bem das pessoas”.

Não temeste o perigo, porque para ti, salvar vidas e socorrer os aflitos era força e era poder que dissipava qualquer medo e desvanecia todas as dúvidas e hesitações. Cumpriste o que prometeste, e tornaste real o juramento de fazeres de ti um corajoso servidor da nação”.

D. Rui Valério refletiu sobre o impacto dos incêndios sobre a população e o próprio país, ameaçando vidas e património, e a resposta daqueles que multiplicam “gestos de serviço” perante a ameaça do fogo.

“Definitivamente, o nosso irmão André ruma à eternidade, levando a bagagem do seu coração e da sua alma preenchida de gestos de serviço, de partilha, de fraternidade, de amor para com os mais necessitados, cuja máxima expressão foi ter tombado no campo da honra”, declarou.

A intervenção concluiu-se com uma oração a Nossa Senhora de Loreto, padroeira da Aviação: “Protegei Portugal, conduzi a Força Aérea e auxiliai os pilotos-aviadores”.

OC

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