«O testamento que nos deixa é muito forte para motivar que o diálogo ecuménico progrida e continue a fortalecer-se» – D. Manuel Felício

Pastor José Leite. Foto: Igreja Evangélica Presbiteriana de Portugal (IEPP)

Guarda, 24 nov 2021 (Ecclesia) – D. Manuel Felício, bispo da Guarda e vogal da Comissão Missão e Nova Evangelização, recordou o testemunho e “esforço notável” do pastor José Manuel Leite, da Igreja Evangélica Presbiteriana de Portugal (IEPP), na promoção do ecumenismo.

“O testamento que nos deixa é muito forte para motivar que o diálogo ecuménico progrida e continue a fortalecer-se cada vez mais entre nós em Portugal”, disse hoje à Agência ECCLESIA.

O pastor José Manuel Leite, da Igreja Evangélica Presbiteriana de Portugal, faleceu segunda-feira, aos 81 anos de idade, em Coimbra.

O funeral realiza-se esta quarta-feira, às 15h00, na igreja Presbiteriana da Figueira da Foz.

O bispo da Guarda salienta que José Manuel Leite “teve uma importância decisiva” no diálogo ecuménico em Portugal, lembrando a sua experiência de trabalho na Conferência das Igrejas Europeias (CEC), na Suíça, e a ligação ao Centro Ecuménico de Reconciliação da Figueira da Foz, do qual foi o primeiro diretor, de 1969 a 1988.

“O esforço que fez para se aproximar das outras comunidades cristãs foi notável. Temos que sublinhar a importância deste trabalho que ele desenvolveu durante muitos anos e que muita hora me dá a colaboração que tive com bastante proximidade”, desenvolveu D. Manuel Felício.

O responsável católico destaca o “empenho” de José Manuel Leite para que existisse “uma cooperação forte a nível de instituições”, nomeadamente hospitalares, “onde o diálogo e a cooperação ecuménica têm que ter instrução”, e nas escolas.

D. Manuel Felício recordou também o “empenho muito grande” do pastor presbiteriano no percurso em direção ao “acordo sobre o batismo entre as várias confissões cristãs”, que terminou numa assinatura, no dia 25 de janeiro de 2014, em Lisboa, e que “há de orientar a vida das comunidades cristãs em muitos aspetos”.

A declaração de reconhecimento mútuo do Sacramento do Batismo foi assinada por representantes da Igreja Católica Romana, da Igreja Lusitana Católica Apostólica Evangélica, da Igreja Evangélica Metodista Portuguesa, da Igreja Evangélica Presbiteriana de Portugal e da Igreja Ortodoxa do Patriarcado Ecuménico de Constantinopla.

Em 1988, o pastor José Manuel Bravo Teixeira Leite foi um dos fundadores da ‘Oikos – Cooperação e Desenvolvimento’, com os padres católicos romanos Agostinho Jardim Gonçalves e Luís de França, e Jeremias Carvalho, Guilherme Pereira e David Valente.

Em nota enviada à Agência ECCLESIA, a organização não confessional, que “sempre o ideal ecuménico e o valor da convivência religiosa”, através do presidente do conselho diretivo, João José Fernandes, recordou o seu “papel fundamental” na promoção da Lei da Liberdade Religiosa (2001), “na defesa das minorias religiosas e sociais em Portugal”, e no fortalecimento da ligação da Oikos com o “movimento europeu de organizações da sociedade civil europeia”.

CB/OC

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